Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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quinta-feira, julho 13, 2017

Em Memória de Ismênia


A Morte tem feito seu papel, carregando nas suas costas largas, indistintamente a todos. Não cede a apelos, não tem religião, ideologia, crença, preferência, preconceito. Etc. Falar assim é piegas, tolo. Mas a morte é tola e piegas. Simples, simplista, minimalista. Individualista. Egoísta. Ditadora. Traiçoeira. Incidental. Simples. Justa. Extremamente justa. Clara. Extremamente clara. Por horas, caímos na tentação de considerá-la injusta, cruel. E na velocidade da era moderna, a cada dia mais deixamos de senti-la, mas não ela, que continua por ai, mais e mais presente, mesmo contra a vontade de poetas e de ditadores. De fato, na atual era, moderna, tecnológica, avançada, veloz, em que pensamos muito e sentimos pouco, sua devida importância foi relegada a colocarmos fitas pretas de luto em rede social e esquecermos-nos daqueles que Ela levou, poucos dias depois. Não há memória suficiente em nossos cérebros para caber saudades e luto real. Temos informação em tempo real, sexo em tempo real, dinheiro e poder em tempo real. Achamos todo esse tempo que desperdiçarmos com asneiras e tolices, como tempo real. E nos esquecemos do que é de fato real. Esquecemos-nos da Morte. Não temos tempo para a morte, mas Ela sempre terá tempo para nós. E a única coisa real é Ela. Que nos espreita, nos espia e fica de tocaia atrás de cada pensamento, depois de cada esquina, após cada página de livro. Mas pouco nos importa a morte, pois apesar de tudo que temos, não temos vida. Então, sem vida não há morte. Ou seria melhor dizer que sem morte não há vida.
Em memória de Ismênia, 13/07/2017, Barata Cichetto

quinta-feira, junho 29, 2017

Rugas e Fugas


Rugas e Fugas

Não tenho vergonha das minhas profundas rugas
E nem dos restos que sobraram das minhas fugas
Mas se elas não são cicatrizes das guerras perdidas
Ao menos são máscaras disfarçando minhas feridas.
Barata Cichetto, 29/06/2017

quarta-feira, junho 28, 2017

UMA REDE DE INTRIGAS, NA VERDADE

Que sociedade complicada, não?! Ah, eu poderia ser simplório e dizer "mundo", no lugar de "sociedade". Mas, não, não quero falar do "mundo", que englobaria "todos" e "todomundo", mas quero falar, sim, sobre essa nossa sociedade medíocre, cuja desfaçatez beira o absurdo. E essa sociedade, representada por uma rede social que efetivamente não me representa, mas que é apenas um meio de eu tentar atingir pessoas que não conseguiria de outras formas. Entretanto, uma rede que se supõe "de amigos", não passa de uma rede de intrigas, uma rede de vaidades. Um culto ao ego, um culto a narciso, um culto a tudo que há de ruim nessa mesma sociedade. Responsabiliza-se políticos, retirando de seus próprios ombros a responsabilidade. Tratam hipocritamente o restante das pessoas como "iguais", mas se acham "mais iguais que os outros." Falam e bufam sobre arte e não fazem nada para incentivar artistas que não sejam os mesmos ou a si próprios. Enfim, estou ficando muito cansado dessa lenga-lenga hipócrita, essa rede de hipocrisia. Poucos são verdadeiros nesta "sociedade". Há uns dez dias removi 1200 "amigos" desta sociedade anônima. Ainda ficou muito. E quem sabe, em breve eu me auto-remova.

28/06/2017

terça-feira, junho 27, 2017

E Ainda Pensas Que é Feliz?

Há algum tempo, Cioran perguntou: "Todos os seres são infelizes; mas quantos o sabem?" E se, em meados do Século XX, poucos sabiam, imaginem agora, nesse hediondo inicio de XXI, quando o mundo inteiro, coberto por um manto vulnerável, se transformou numa praça de guerra, onde nem mesmo as regras claras de uma guerra são aplicadas. Mesmo numa guerra há honra e ética, mas não nesta, que nunca foi declarada, mas que é travada em todos os cantos do planeta. As mãos invisíveis dos que a comandam empunham relógios dourados, que marcam apenas a hora do começo, nunca do fim. E essas mãos mortíferas tem nomes, ou ao menos alcunhas: religião e política. E agem exatamente da mesma forma impiedosa, transformando em zumbis aqueles que o seguem, roubando-lhes a alma e a virtude. E a alma e a virtude são singulares, individuais. Pessoas infelizes e duras, cruéis, achando que exercem sua liberdade, mas que são escravos de teologias e ideologias. Duras e cruéis contra aqueles que lhes deram o melhor. E tolos e cabisbaixos contra aqueles que lhes consomem a individualidade, a maior virtude, por ser ser alma, de um ser humano. Pensam ser libertadores, mas são, muito, muito escravos. Roubaram tudo. Saquearam tudo. Jogaram filhos contra pais, irmãos contra irmãos, amigos contra amigos. Não há mais inocentes neste mundo. Não há mais pessoas felizes, Cioran! E ninguém sabe. Ninguém mais sabe sequer o que é felicidade.
 
Barata Cichetto , 26/06/2017

quinta-feira, junho 15, 2017

O Tempo, Essa Prostituta

Anteontem o Tempo parou ao meu lado na calçada. Usava botas de cano alto, minissaia e tinha as belas pernas de fora e um par de bicos pontiagudos saltados pela blusa. Piscou com cílios postiços e me perguntou quanto eu podia pagar. Fui embora pisando firme no concreto da calçada. O Tempo, essa prostituta, me enganou.

Ontem o Tempo parou ao meu lado dentro de um carro importado. Usava roupas caras, vestido discreto, perfume francês e tinha nas mãos uma bolsa cheia de dinheiro. Piscou os faróis e me perguntou quanto eu queria receber. Depois foi embora pisando no acelerador, enquanto eu fiquei parado no asfalto esperando o tempo voltar e me dar outra piscada. Nunca voltou. O Tempo, essa prostituta, me enganou.

Hoje o Tempo ainda para do meu lado. Mas nua, pés descalços e dentes quebrados. E não me pergunta quanto posso pagar ou quanto quero receber. Ainda assim, pisca pra mim, com olhos remelentos e ficamos abraçados e nus, sem esperar mais nada. O Tempo, essa prostituta, sempre me enganou.

Amanhã o Tempo não irá mais parar ao meu lado. Estará inerte, sem respiração. Sem pedir ou perguntar mais nada. Não irá piscar, pois seus olhos estarão cerrados e mortos. O Tempo, essa prostituta, nunca se enganou.

14/06/2017

terça-feira, junho 13, 2017

Chacrinha Estava Certo

Sou, e com orgulho, de tempos em que a comunicação era lenta. A escrita era a mão ou datilografada. Uma mensagem demorava dias, semanas, até chegar ao destinatário. Por isso tinha que ser pensada, articulada. Não tinha que ser imediata, voraz, sem análise. Mas inventaram a velocidade, a Internet. E cada dia mais rápida. E a comunicação passou a ter que ser instantânea. Comunica-se, mas não se pensa. Esse é o resultado dessa era digital. Temos muita, mas muita informação. Tanta, que nenhum cérebro é capaz de processar tudo. E isso gera mais confusão mental, estresse, paranoia do se imagina. O resultado é que não conseguimos chegar à conclusão nenhuma. Sobre nada. Falamos, falamos. E no fim nos desentendemos. Confundimos-nos ao tentarmos explicar. Chacrinha estava certo: "eu vim para confundir, não para explicar."
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Barata Cichetto, 13/06/2017

sexta-feira, junho 09, 2017

Estamos Prestes a Sermos Mortos



Estamos prestes a sermos mortos. Sim! Seremos mortos dentro de algum tempo. Todos nós! Por alguma causa, algum motivo. Ou nenhum. Apenas pelo fato de estarmos vivos.
Estamos muito próximos de sermos mortos. E seremos! E muito perto depende da relatividade do tempo. A alguns, muito próximos é pouco, a outros é muito. Depende de quanto desejamos algo para que o tempo se torne rápido ou lento. Algoz ou justiceiro.
Estamos a beira de sermos mortos! Todos nós. Mesmo aqueles que dispensam a beirada de qualquer coisa, seja de um precipício ou de um beijo. Resta saber a quantos passos da queda estamos.
Estamos na iminência de sermos mortos. E na evidência plena de ser.
Seremos mortos. Todos. Mesmo aqueles que nunca souberam o que é viver. E já estavam mortos, esmo antes de nascer.

Barata Cichetto, 07/06/2017

quarta-feira, junho 07, 2017

A Biblia e O Capital

 "O Capital" e "A Biblia" cristã são realmente ótimos livros para se ler, pelos mesmos motivos: cheios de sabedoria alheia, histórias falaciosas, teorias que jamais serão aplicadas e dogmas que apenas fanáticos acreditam. E isso porque ambos desprezam a verdadeira essência do ser humano e querem construir, com base nas mentes de seus criadores, um ser humano com virtudes que nunca teve e nunca terá. Não, não discordo com o nenhum deles: são livros de ficcção, divertidos por momentos. E até poéticos em outros.

07/06/2017

Talento e Preconceito



Um dia quis ser poeta... Epa... Não, não houve um dia em que "quis ser poeta". Também não nasci poeta, como alardeiam alguns amiguinhos, apenas para fazer um charminho, se auto promover. O fato é que um dia comecei a ler poesia, contos, bulas de remédio, tratados de filosofia, cartas, e tudo o que aparecia e achei de começar a escrever. Achei que poderia ser bom naquilo. E fui! E assim se repetiu em quase tudo na minha porca existência de quase sessenta anos. E sempre dediquei meu tempo a aprender a ser o que queria, precisava, gostava, etc. E sempre fiz bem tudo àquilo ao qual me dediquei. Fui um bom poeta, muito bom mesmo, disso não tenho duvidas, pois além de conhecer o ofício, tenho apurado senso critico, e sempre me cobro para melhorar. E muito. Exijo sempre muito de mim. E sei que fui bom cronista, artista plástico, editor artesanal, microfilmador, arquivista, projetista de brinquedos e embalagens... E pai, entre outras coisas. Enfim, a partir do momento em que me apareceu a primeira duvida se eu poderia realizar aquilo, me impulsionando ao aprendizado, a querer saber mais e mais sobre o que me propunha, sempre fiz tudo com muito tesão. Eu não nasci poeta, projetista, pai, patrão, porra nenhuma dessas. Mas sempre fui o melhor naquilo que fiz. Disso estou certo. Acham que estou sendo arrogante? Pois que pensem. Minha humildade nunca me levou a nada, a não ser ao lugar onde me encontro, ou seja ao nada. Há uns dias, um amigo de Facebook me disse que sou um dos caras mais inteligentes que conhece, mas que exagero um pouco na dose de underground. E essa dose, refuto, é por conta de meu isolamento, cada dia mais frequente. Outra amiga, também disse que gostaria que eu fosse, para os negócios, menos sincero. E essa dose excessiva de sinceridade, é por conta de meu posicionamento contra o terrorismo de "esquerda", cujos homens e mulheres-bomba, são criados igual a ratos em laboratórios de faculdades de humanas, e nas redes sociais. Roubaram minha bandeira. Roubaram minha trincheira. Só resta a dinamite. Não bebo mais. Tenho hetapite. Rinite, Sinusite. Artrite. É... Mas um dia quis ser poeta. E fui. Um dia quis ser amante. E fui. Um dia quis ser pai. E fui. Um dia quis ser artista plástico. E fui. E quis ser mais uma porção de coisas. E fui. E fui muito bom em tudo que fui. Um dia eu quis. Um dia fui. Um dia serei. Tudo mais. E nada! Um dia, há vinte anos, criei um site cultural com o slogan: "Liberdade de expressão e expressão de liberdade", mas atualmente liberdade de expressão é algo que não tem mais importância, ou até mais que isso: dizer o que se pensa pode ser considerado crime. Sim, estou em dias de fúria. Há um ano troquei minha poesia por dinamite, depois de trocar por sexo, dinheiro e Rock'n'Roll. Então, não me peçam o coração, que não dou. É a unica coisa que sobrou. Nada dobrou. O dobro ou nada? Não, a vida não me obrigou a ser assim, ela apenas me abriga. Por enquanto. Dinamite nos dentes. Cérebro esparramado na sarjeta. É esgoto. Sim, eu tenho orgulho de tudo isso. Do que fiz, e do que não fiz, não por medo, mas por impossibilidade. Tenho orgulho do que fiz. Mas, que tempo estranho, em que é preciso explicar que ter orgulho do que se é não significa ter preconceito em relação a quem não é igual. Viva a diferença. A dinamite do talento contra os muros do preconceito. Eu respeito as diferenças. Tenho orgulho de ser o que sou. E exijo respeito ao que sou, ao que penso e às minhas diferenças. Respeito é bom e eu tenho. E exijo.

06/06/2017

terça-feira, maio 23, 2017

Os Outros

Antes, até bem pouco tempo, éramos amigos. Ríamos de piadas, sentíamos nossas artes, discutíamos musica e literatura. Mas aí eles chegaram... Antes, até poucos meses até, éramos amigos, mesmo que nunca tivéssemos nos visto pessoalmente. E nos intimávamos a publicar poemas, listas de musicas e de discos. Mas aí eles chegaram... Antes, até éramos amigos, e nos visitávamos quando possível. E trocávamos artes, sentimentos e confidências até. Tínhamos nossas diferenças e as respeitávamos. Sabíamos que ser diferente é que faz a diferença. Respeitávamos essas diferenças, como deve ser. E nos caçoávamos uns dos outros por causa de alguma cagada, alguma besteira feita ou dita. Ríamos disso. Éramos amigos, afinal. Mas aí eles chegaram...

Mas aí eles chegaram, com suas mentiras, farsas, roubos, corrupção, e lhes disseram que ideologia é melhor que amizade, família, arte e tudo mais. Que todas as coisas das quais brincávamos eram sérias, que piadas eram ofensas de morte. E lhes mentiram sobre eles, sobre suas intenções. E lhes disseram que aquele que não concordasse com essas mentiras eram inimigos, que tinham que ser escorraçados, esquecidos, humilhados. Lhes mentiram, ensinaram errado a matéria, mudaram o sentido das palavras, lhes fizeram acreditar que o certo é o errado, que a sujeira é limpa, e que tudo vale em nome de seus propósitos. Aliás, fizeram-lhes acreditar que os únicos motivos, propósitos e certezas são os deles. E pior, que os seus - deles - propósitos são os seus. Fizeram-lhes acreditar neles e descrer de todos aqueles que discordam de seus pensamentos unicamente voltados ao poder. Compraram-lhes a consciência ao falar em nome dos pobres, lhes convenceram que deviam sentir em nome do povo, mesmo sabendo que vocês são o povo, não eles; distorceram fatos, incriminaram inocentes e transformaram assassinos em heróis. Lhes colocaram rótulos, lhes vestiram com os uniformes deles, fizeram-lhes brandir suas bandeiras, cantar seus hinos e dizer as palavras de (des)ordem que lhes transformou em ecos ocos. Fizeram-lhes acreditar que tudo que é dito é mentira se não for dito por eles. Ofereceram-lhes as desculpas por seus crimes e lhes eximiram de suas culpas contra crimes que eles próprios cometeram. Jogaram-lhe contra pais, irmãos, amigos, parentes, todos aqueles que poderiam lhes ser contra as mentiras deles e lhes deram justificativas para pilhar, quebrar, destruir em nome de uma revolução que jamais será sua, e que nem de fato é. E nunca será.

Enfim, eles chegaram. E não há mais poesia, nem listas de musicas, nem arte. Apenas tristeza e ódio. Doença. A eles pouco importa que sejamos inimigos, a eles interessa apenas o poder. E tudo é válido em nome dessa revolução que nunca irá ter fim, até que não sobre mais ninguém que possa pensar e agir contra eles. Eles lhes roubaram de seus amigos, prostituiram sua educação, sujaram suas mãos de sangue. Lhes fizeram mentir em nome de deles.

Antes, até bem pouco tempo, o inimigo era "eles", agora sou eu. E outros que ousam ainda refutar-lhes os intentos criminosos. Espero apenas, embora até minha esperança eles tenham roubado, que um dia meus amigos e todos aqueles que a mim são caros possam acordar e perceber os crimes que estão cometendo em nome deles. Crimes contra a humanidade. Mas se não acordarem, temo não mais pela perda da amizade que lhes dediquei, mas pelo desperdício de sentimentos. E se um dia a consciência lhes pesar, quando o negro futuro que eles lhes reservam surgir e não haver mais tempo de voltar atrás, fiquem com o consolo de tempos em que ainda acreditávamos em poesia, em arte, em musica.

Luiz Carlos Giraçol Cichetto, 23 de Maio de 2017