Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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quinta-feira, agosto 17, 2017

Escriditadores

Escriditadores

Eu sei escrever a mão, em máquina de escrever. E até com pedaço de carvão, se necessário. Sempre fiz isso. E também sei ler. Cartas, livros, revistas e até receitas de remédios e de bolos. Sempre fiz isso. Portanto, se acabar o Facebook, a Internet e até mesmo a energia elétrica do mundo, continuarei a ler e a escrever. Fazia isso às velas, à noite. De dia. Qualquer horário. Então escrevo isso para que fique bem claro que Facebook não faz escritores, com sua fama de quatrocentos cliques. Tenho poucos leitores, mas nenhum me pede livros de graça, não me imploram dedicatórias, nem lotam salas da FLIP por minha causa. São poucos, sim. Mas entendem o que sou. E me respeitam por isso. Eu sou escritor. Respeito qualquer pessoa que leia qualquer coisa minha. E a entenda. Por isso, escriditadores de Facebook, meu mais profundo desprezo à sua vaidade. Fiquem com seus quatroquinhentos cliques que eu fico com meus dez leitores. Eu os respeito, porque são pessoas. Não máquinas. E eles me respeitam pelo mesmo motivo.

Barata Cichetto, 31/07/2017

domingo, julho 30, 2017

Gyroscopio 69 - Programa 37


- Barata Cichetto - O Poeta é Um Ditador

Alice Cooper - Killer
T Rex - The Wizard
The Crazy World of Arthur Brown - Spontaneous Apple Creation

Del Wendell
"O herói que não perde a fé em meio a dificuldades é frequente e legitimamente reverenciado. Tanto deveria ser o herói que vence apesar de não ter fé, de avançar sem acreditar, de atravessar a depressão, a dúvida, o desânimo e colocar a bola do touchdown além da linha de fundo. Que esforço faz este ser até no trabalho de apenas ser."

Ian Mc Donald - Demimonde
Porcupine Tree - My Ashes
Small Faces - Happiness Stan

- Douglas Donin

- Sub Rosa
Sub Rosa - Enslavement of Beauty

- Joanna Franko

The Beatniks - Era um Rapaz que como Eu, Amava os Beatles e os Rolling Stones - 1967
The Brazilian Bitles - Gata (Wild Thing) - 1967.
The Bubbles - Porque Sou Tão Feio - 1966

- Barata Cichetto - O Legado do Delegado

Focus - House Of The King
Premiata Forneria Marconi - Celebration (Including The World Became The World)
Supertramp - Sister Moonshine

- Wendy O. Williams / Suicidio

Lemmy & Wendy O Williams - Jailbait (HD)
Motörhead (Featuring Wendy O.Williams) - No Class (Live At Birthday Party '85)

Conexão Norte:
1. Blues / O Peso / ao álbum Em Busca do Tempo Perdido;
2. Andar Andar / Alceu Valença / do álbum    do mesmo nome; e
3. Onze Horas da Manhã / Celso Blues Boy / do DVD Quem Foi Que Falou Que o Rock Acabou?

O aforismo é este:
"Complexo de déjà-vu: a cada novidade do rock vendida como 'revolucionária' aos idiotas, tenho a sensação de que alguém fez muito melhor antes".


Douglas Donin

"Um dos conceitos mais necessários para descrever a juventude de hoje: ENTITLEMENT. A condição de se sentir com direito inegável a algo, de acreditar ser assegurado que lhe deem certa coisa ou lhe seja fornecido um tratamento específico, acima de qualquer discussão sobre merecimento ou direito de fato.

Alguma sugestão para tradução elegante, simples e que mantenha o sentido do termo, em português?"



Wendy O. Williams

Apesar da reputação de ser uma artista assustadora, Wendy O.  Williams - em sua vida particular - era extremamente dedicada ao Bem-estar animal, uma paixão que incluia também dieta vegetariana, o que fez com que ela trabalhasse também como reabilitador de animais selvagens e ativista de comidas naturais.

Após o Plasmatics

Em 1991, Williams se mudou para Storrs, em Connecticut, onde ela viveu com seu companheiro de muitos anos e empresário, Rod Swenson, e trabalhou em uma reabilitação de animais e também em uma loja de comida saudável em Manchester, também em Connecticut.

Williams suicidou aos 48 anos, no ano de 1998, em uma área arborizada próximo à sua casa. Isso foi o que ela escreveu na nota de suicídio em relação à sua decisão:
"Eu não acho que as pessoas devem tirar sua própria vida sem uma profunda reflexão por um considerável período de tempo. Entretanto, eu acredito piamente que todos tem o direito de fazer isso em uma sociedade livre. Para mim, o mundo não faz sentido, mas meus sentimentos a respeito do que eu estou fazendo tocam alto e limpo para o interior de um ouvido e um lugar onde eu não estou, há apenas a calma."

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Meu corpo
Cheira a amoníaco,
Meu suor
Tem a cor do carvão
Sou a essência em agonia
Os elementos
Em
Combustão
O ventre da terra
Em seu mais tosco
Reboco
Labaredas
Pedras derretidas
Larvas
Escorrendo pelas paredes
Fogo líquido
explosão
Rompendo fronteiras
Leis, limitações
Sou
A força
Que vai te enfraquecer
Porque é da tua fraqueza
Que eu vou sobreviver.

joanna.franko

a arte de Luiz Barata Cichetto
(Quadro "Manipulação Ermética)


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Repercussões:
Essa audição do Gyroscopio 69 foi de longe a mais emocionante que já fiz, em quase 10 anos de webradio. Além da musica da banda SubRosa, do poema da Joanna Franko, minha pequena homenagem a Jaques Sobretudo Gersgorin, o mestre Jacques Kalaiedoscopio, me trouxe uma emoção impar. Muita honra em poder ter sido hoje escutado por ele. Eu, que ia dormir as 2 da manhã e acordava as 6, morrendo de sono para ouvir o Kaleidoscópio. Um dia emocionante e compensador. Obrigado a todos que foram responsaveis por esse dia, ai incluido o Marco Angeli Full, Reinaldo José e Genecy Souza.


sábado, julho 29, 2017

Mantenha a Esquerda Livre

Uso um anel em cada um dos dedos da mão esquerda. A direita precisa ficar livre para trabalhar, que sou destro. Todos de aço inox, coisa estranha, sem valor de mercado. Não uso ouro capitalista. Nem de prata socialista. Aliás, comparar capitalismo com socialismo é o mesmo que comparar elefantes com cachorros só por ter quatro patas. Não tenho patas, tenho dedos. E no da esquerda, como já disse, um um anel em cada um. A esquerda é inutil. Sou destro, também já disse.  Deixe a direita livre. Para trabalhar. "Deixe a esquerda livre" diz a placa verde na escada rolante do Metrô. Deixe a esquerda livre. Livre para atrapalhar. Caminhe sobre uma superficie em movimento e quebre a sua cara, idiota. Tenho também meu direito de segurar com as duas mãos, a esquerda e a direita, em ambas as barras, da esquerda e da direita, na escada  rolante. Afinal, tenho o meu direito - já que todo mundo agora tem direito -, de ter medo de cair daquela merda.  E tenho o direito de esmurrar o filho da puta que acha que é direito dele caminhar por uma escada rolante quando tem uma porra de uma escada fixa sem ninguém bem ao lado. Está com pressa, corno? O corno acha que tem o direito de me empurrar. E eu acho que tenho direito de o espancar. Devo cumprir meu direito e mandar o direito do que acha que tem todo direito a puta que o pariu? Mantenha a esquerda livre. Mantenha a direita em punho!
30/07/2017

quinta-feira, julho 13, 2017

Em Memória de Ismênia


A Morte tem feito seu papel, carregando nas suas costas largas, indistintamente a todos. Não cede a apelos, não tem religião, ideologia, crença, preferência, preconceito. Etc. Falar assim é piegas, tolo. Mas a morte é tola e piegas. Simples, simplista, minimalista. Individualista. Egoísta. Ditadora. Traiçoeira. Incidental. Simples. Justa. Extremamente justa. Clara. Extremamente clara. Por horas, caímos na tentação de considerá-la injusta, cruel. E na velocidade da era moderna, a cada dia mais deixamos de senti-la, mas não ela, que continua por ai, mais e mais presente, mesmo contra a vontade de poetas e de ditadores. De fato, na atual era, moderna, tecnológica, avançada, veloz, em que pensamos muito e sentimos pouco, sua devida importância foi relegada a colocarmos fitas pretas de luto em rede social e esquecermos-nos daqueles que Ela levou, poucos dias depois. Não há memória suficiente em nossos cérebros para caber saudades e luto real. Temos informação em tempo real, sexo em tempo real, dinheiro e poder em tempo real. Achamos todo esse tempo que desperdiçarmos com asneiras e tolices, como tempo real. E nos esquecemos do que é de fato real. Esquecemos-nos da Morte. Não temos tempo para a morte, mas Ela sempre terá tempo para nós. E a única coisa real é Ela. Que nos espreita, nos espia e fica de tocaia atrás de cada pensamento, depois de cada esquina, após cada página de livro. Mas pouco nos importa a morte, pois apesar de tudo que temos, não temos vida. Então, sem vida não há morte. Ou seria melhor dizer que sem morte não há vida.
Em memória de Ismênia, 13/07/2017, Barata Cichetto

quinta-feira, junho 29, 2017

Rugas e Fugas


Rugas e Fugas

Não tenho vergonha das minhas profundas rugas
E nem dos restos que sobraram das minhas fugas
Mas se elas não são cicatrizes das guerras perdidas
Ao menos são máscaras disfarçando minhas feridas.
Barata Cichetto, 29/06/2017

quarta-feira, junho 28, 2017

UMA REDE DE INTRIGAS, NA VERDADE

Que sociedade complicada, não?! Ah, eu poderia ser simplório e dizer "mundo", no lugar de "sociedade". Mas, não, não quero falar do "mundo", que englobaria "todos" e "todomundo", mas quero falar, sim, sobre essa nossa sociedade medíocre, cuja desfaçatez beira o absurdo. E essa sociedade, representada por uma rede social que efetivamente não me representa, mas que é apenas um meio de eu tentar atingir pessoas que não conseguiria de outras formas. Entretanto, uma rede que se supõe "de amigos", não passa de uma rede de intrigas, uma rede de vaidades. Um culto ao ego, um culto a narciso, um culto a tudo que há de ruim nessa mesma sociedade. Responsabiliza-se políticos, retirando de seus próprios ombros a responsabilidade. Tratam hipocritamente o restante das pessoas como "iguais", mas se acham "mais iguais que os outros." Falam e bufam sobre arte e não fazem nada para incentivar artistas que não sejam os mesmos ou a si próprios. Enfim, estou ficando muito cansado dessa lenga-lenga hipócrita, essa rede de hipocrisia. Poucos são verdadeiros nesta "sociedade". Há uns dez dias removi 1200 "amigos" desta sociedade anônima. Ainda ficou muito. E quem sabe, em breve eu me auto-remova.

28/06/2017

terça-feira, junho 27, 2017

E Ainda Pensas Que é Feliz?

Há algum tempo, Cioran perguntou: "Todos os seres são infelizes; mas quantos o sabem?" E se, em meados do Século XX, poucos sabiam, imaginem agora, nesse hediondo inicio de XXI, quando o mundo inteiro, coberto por um manto vulnerável, se transformou numa praça de guerra, onde nem mesmo as regras claras de uma guerra são aplicadas. Mesmo numa guerra há honra e ética, mas não nesta, que nunca foi declarada, mas que é travada em todos os cantos do planeta. As mãos invisíveis dos que a comandam empunham relógios dourados, que marcam apenas a hora do começo, nunca do fim. E essas mãos mortíferas tem nomes, ou ao menos alcunhas: religião e política. E agem exatamente da mesma forma impiedosa, transformando em zumbis aqueles que o seguem, roubando-lhes a alma e a virtude. E a alma e a virtude são singulares, individuais. Pessoas infelizes e duras, cruéis, achando que exercem sua liberdade, mas que são escravos de teologias e ideologias. Duras e cruéis contra aqueles que lhes deram o melhor. E tolos e cabisbaixos contra aqueles que lhes consomem a individualidade, a maior virtude, por ser ser alma, de um ser humano. Pensam ser libertadores, mas são, muito, muito escravos. Roubaram tudo. Saquearam tudo. Jogaram filhos contra pais, irmãos contra irmãos, amigos contra amigos. Não há mais inocentes neste mundo. Não há mais pessoas felizes, Cioran! E ninguém sabe. Ninguém mais sabe sequer o que é felicidade.
 
Barata Cichetto , 26/06/2017

quinta-feira, junho 15, 2017

O Tempo, Essa Prostituta

Anteontem o Tempo parou ao meu lado na calçada. Usava botas de cano alto, minissaia e tinha as belas pernas de fora e um par de bicos pontiagudos saltados pela blusa. Piscou com cílios postiços e me perguntou quanto eu podia pagar. Fui embora pisando firme no concreto da calçada. O Tempo, essa prostituta, me enganou.

Ontem o Tempo parou ao meu lado dentro de um carro importado. Usava roupas caras, vestido discreto, perfume francês e tinha nas mãos uma bolsa cheia de dinheiro. Piscou os faróis e me perguntou quanto eu queria receber. Depois foi embora pisando no acelerador, enquanto eu fiquei parado no asfalto esperando o tempo voltar e me dar outra piscada. Nunca voltou. O Tempo, essa prostituta, me enganou.

Hoje o Tempo ainda para do meu lado. Mas nua, pés descalços e dentes quebrados. E não me pergunta quanto posso pagar ou quanto quero receber. Ainda assim, pisca pra mim, com olhos remelentos e ficamos abraçados e nus, sem esperar mais nada. O Tempo, essa prostituta, sempre me enganou.

Amanhã o Tempo não irá mais parar ao meu lado. Estará inerte, sem respiração. Sem pedir ou perguntar mais nada. Não irá piscar, pois seus olhos estarão cerrados e mortos. O Tempo, essa prostituta, nunca se enganou.

14/06/2017

terça-feira, junho 13, 2017

Chacrinha Estava Certo

Sou, e com orgulho, de tempos em que a comunicação era lenta. A escrita era a mão ou datilografada. Uma mensagem demorava dias, semanas, até chegar ao destinatário. Por isso tinha que ser pensada, articulada. Não tinha que ser imediata, voraz, sem análise. Mas inventaram a velocidade, a Internet. E cada dia mais rápida. E a comunicação passou a ter que ser instantânea. Comunica-se, mas não se pensa. Esse é o resultado dessa era digital. Temos muita, mas muita informação. Tanta, que nenhum cérebro é capaz de processar tudo. E isso gera mais confusão mental, estresse, paranoia do se imagina. O resultado é que não conseguimos chegar à conclusão nenhuma. Sobre nada. Falamos, falamos. E no fim nos desentendemos. Confundimos-nos ao tentarmos explicar. Chacrinha estava certo: "eu vim para confundir, não para explicar."
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Barata Cichetto, 13/06/2017

sexta-feira, junho 09, 2017

Estamos Prestes a Sermos Mortos



Estamos prestes a sermos mortos. Sim! Seremos mortos dentro de algum tempo. Todos nós! Por alguma causa, algum motivo. Ou nenhum. Apenas pelo fato de estarmos vivos.
Estamos muito próximos de sermos mortos. E seremos! E muito perto depende da relatividade do tempo. A alguns, muito próximos é pouco, a outros é muito. Depende de quanto desejamos algo para que o tempo se torne rápido ou lento. Algoz ou justiceiro.
Estamos a beira de sermos mortos! Todos nós. Mesmo aqueles que dispensam a beirada de qualquer coisa, seja de um precipício ou de um beijo. Resta saber a quantos passos da queda estamos.
Estamos na iminência de sermos mortos. E na evidência plena de ser.
Seremos mortos. Todos. Mesmo aqueles que nunca souberam o que é viver. E já estavam mortos, esmo antes de nascer.

Barata Cichetto, 07/06/2017