Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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terça-feira, fevereiro 21, 2012

Facebook: Liberdade de Expressão e o Manual de Conduta e Postagem do Barata


Facebook: Liberdade de Expressão e o Manual de Conduta e Postagem do Barata 
Barata Cichetto

“Liberdade não apenas significa que o indivíduo tem a oportunidade e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de escolher; também significa que deve arcar com as conseqüências de suas ações, pelas quais será louvado ou criticado. Liberdade e responsabilidade são inseparáveis”. - F. A. Hayek

Quero construir uma metáfora baseada em fatos reais: moro em uma casa alugada onde, enquanto pagar meu aluguel o proprietário não tem o direito de entrar sem que eu permita, a não ser pela prerrogativa prevista em lei de "vistoria do imóvel". Embora não detendo a propriedade do imóvel, desde que não infrinja o previsto na Lei ou no próprio contrato, tenho direito ao uso de todas as partes da casa, do muro ao banheiro, da forma que eu quiser. Diante disso, o que guardo, falo, escrevo, penso e faço nesse imóvel é de minha propriedade e responsabilidade. Tenho, portanto o direito a cagar no meu banheiro, comer na minha cozinha, dormir no meu quarto. Ou de cagar no quarto, comer no banheiro, etc., se assim eu desejar. E, principalmente, de deixar entrar nesse imóvel quem eu quiser. E exerço, e faço questão que respeitem, meu direito sobre minha moradia, sem por isso possa ser acusado de tirania e opressão.

E é exatamente assim que funcionam as chamadas redes sociais. Elas tem donos que nos alugam um espaço, mesmo que teoricamente gratuito, mas cujas regras de "locação" são as mesmas, basicamente de qualquer contrato de locação. O fato de não existir um valor monetário diretamente não exime nenhum dos lados de suas responsabilidades com relação a esse contrato. Sempre assinamos termos de concordância de serviço, e isso é um contrato de locação. Se infringirmos somos penalizados. Mas assim como no imóvel que alugamos para moradia, tudo ali dentro nos pertence e é de nossa propriedade e responsabilidade e temos o direito de usá-lo de forma livre, embora dentro das regras legais e contratuais.

Dias atrás, por força de uma postagem, acabei entrando em conflito com uma "amiga" de Facebook, que culminou com o fim dessa "amizade". Não irei declinar detalhes que possam identificar a pessoa, mas apenas citar fatos. E, mesmo assim, somente aqueles que têm relação direta com o assunto.

Poucos dias antes, como forma de criticar dois “fenômenos” midiaticos recentes, a história de Luisa no Canadá e a "importância" de Caetano Veloso atravessar uma rua, publicada no Portal Terra, fiz uma montagem propositalmente grotesca, escrevendo no lugar de "Caetano se prepara para atravessar a rua no Leblon nesta Quinta-Feira" para "Barata se prepara para cagar em Guaianases nesta quinta-feira" e coloquei algumas fotos minhas no banheiro, que tinha feito há mais de um ano como uma “homenagem” a Frank Zappa que tem uma foto em idêntica situação. A coisa começou a ser replicada pelas páginas do Facebook com a mesma tônica da história da Luisa: "Foi todo mundo lá, menos o Barata que foi cagá!" Era uma critica bem humorada, e a tal "foto" era sempre acompanhada do endereço da página do Portal onde existia a tal matéria.

Mas aí é que entra a questão da desinformação, aliada à pressa em aparecer criticando, da maioria das pessoas dentro do mundo moderno das redes sociais: um dia antes tinha morrido um cantor popular brasileiro e naquele dia uma cantora americana. E como sempre acontece nessas redes, as pessoas começam a entulhar de lamentos, fotos de antes/depois, chororôs e outras coisas irritantes. Não gosto disso, acho hipocrisia, mas nunca ataquei diretamente ninguém por isso. O que faço é escrever no meu mural meu descontentamento com isso. E foi o que fiz. Pegando o compartilhamento sobre a montagem da minha foto escrevi: "Ah, A Whitney Huston morreu? E dai? E eu com isso? O importante mesmo é que Barata Foi Cagá!" Foi um recado direto sobre minha falta de interesse pelo assunto e ainda pegando o gancho da brincadeira.

A partir daí, minha ex-"amiga" entrou na postagem e começou a tecer criticas, sem entender o tom da conversa, afirmado que eu estaria desrespeitando a morta e a liberdade de expressão das pessoas, que qualquer um tinha direito de ser hipócrita, que dessa forma eu intimidava as pessoas a não postarem suas opiniões, que eu era um opressor e tirano, e que estaria criando um "Manual de Postagem", e que eu era um “isso” e um “aquilo”... E essa discussão acabou assim: minha "amiga" me excluiu da sua lista de “amigos”, sem antes deixar uma mensagem cheia de ofensas em meu mural, construindo uma “biografia” minha de forma pretensiosa, falaciosa e violenta, sem o menor conhecimento de meu histórico pessoal. Fiz questão de manter a mensagem, mas horas depois ela mesma a apagou.

No inicio deste artigo, coloquei a metáfora da casa alugada para ilustrar o funcionamento das redes sociais, pois esta foi a questão crucial: minha "amiga" (ex-"amiga") batia na tecla de que o mural do Facebook é coletivo e não meu e que portanto eu tinha que aceitar tudo que era escrito e ficar quieto, calado sem reclamar, e que também não tinha o direito de excluir pessoas da minha "roda de amigos" com as quais eu não concordasse. Caso contrário eu seria um tirano, opressor e blá, blá, blá... 

Ainda usando da ilustração do início, imaginem o seguinte: chega uma pessoa e picha o muro da minha casa, (não importando se esse "minha" se refere a propriedade do imóvel ou direito de uso por locação) escrevendo uma merda qualquer. Segundo o conceito da minha “amiga”, eu não posso apagar aquilo e mandar o cara a merda, nem dizer pra ele: "estou com o saco cheio de você escrever merda no meu muro!", porque tenho que respeitar a liberdade de expressão dele... E ainda tenho que continuar a chamá-lo de amigo! Menos, né?!  E isso não tem nada a ver com liberdade de expressão. Quem acha que tem, é mal intencionado ou desinformado. Ou as duas coisas.

Então, baseado na sugestão da minha ex-"amiga", estou criando um "Manual de Conduta e Postagem do Barata". Quem não gostar tem todo direito a sua tão famigerada liberdade de expressão e escrever suas criticas, ou seja: pode chegar e pichar meu muro. Mas não esqueça que eu tenho o direito de apagar seu comentário do meu muro e nem por isso estarei sendo censor, ditador ou tirano. Pode também mandar um e-mail me xingando, que também tenho o direito de responder ou simplesmente ignorar. Pode ainda deletar-me da sua lista de "amigos", qualquer coisa assim. Mas não esqueça que eu também tenho o direito de fazer a mesma coisa contigo. 

E é simples, curto e grosso meu Manual:

1 - O meu mural do Facebook é meu (está escrito lá isso).
2 - Eu tenho o direito de não gostar do que você escreve, e:
2.1 - Responder no seu mural;
2.2 - Escrever no meu mural que eu não gosto do que você escreveu;
2.3 - Te mandar a merda, ou seja, te deletar da minha lista de "amigos", pois não sou obrigado a ter “amizade” com pessoas que não me interessam.
2.4 – Se não quer ser contestado, não publique nada que possa aparecer no mural alheio, ou seja não compartilhe bosta nenhuma... Ou exclua sua conta nas redes sociais.
3 -  Como disse minha “amiga”: você tem o direito de ser hipócrita, submisso e idiota, mas não espere que eu também o seja.
4 - E que fique bem clara, uma coisa que os defensores insanos da liberdade pela liberdade esquecem, que é o fato de que a liberdade sempre tem um preço e deve obrigatoriamente vir acompanhada da responsabilidade.

E finalmente: as pessoas não estão nem ai pra você, entende isso! Eu não estou nem aí pra você e você nem ai pra mim. O Facebook me usa, coleta minhas informações pessoais e as vende a corporações, então eu também uso um pouco deles postando as minhas idéias e meu modo de pensar, mesmo que seja numa foto cagando... Ou mandando o Mark Zuckemberg tomar no cu. Não gostou?

14/02/2012

2 comentários:

  1. Falou pouco e falou tudo, papo reto.Minha página, minhas regras (até onde a lei permite).

    O Face nos usa e nós o usamos, até mesmo contra o próprio.

    Todos políticos e bandidos afins, tremem ao acessarem a internet ou falarem ao telefone. Mesmo com um computador desligado na sala, sentem-se como se estivessem sendo observados, e estão, assim como nós, com uma diferença, eles tem o que esconder.

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  2. Obrigado, meu amigo Jurandir Rodrigues! A gente tem que ter consciência do poder que representamos. Eles sabem disso. Não podemos ser usuários passivos dessas redes.

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