Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
Todos os Textos Publicados Têm Direitos Autorais Registrados no E.D.A.
Reprodução Proibida!

quarta-feira, março 14, 2012

Da Capo al Coda


Qualquer dia apanho meu barco bêbado e parto em direção á África. Ser mercenário feito Rimbaud. Renegar minha poesia, comerciar armas e mulheres brancas de bucetas raspadas, mamilos roxos e cus cheirosos.  Um dia ainda serei igual a Baudelaire, colecionando gatos e compondo litânias a Satanás. Ou quem sabe, um dia serei feito Augusto e dissecarei cadáveres, corações e mentes. Não, um dia, quando eu crescer, quero ser igual a mim mesmo: colecionar litânias, dissecar almas e acariciar gatos e bucetas cheirosas enquanto amolo minha faca nas pedras do meu caminho.

Um dia ainda pego uma garrafa e bebo até, feito barco embriagado, ancorar em qualquer porto que tenha putas de beira de cais. E feito marinheiro perdido, amá-las feito um desesperado.  Um dia, um dia... Um dia ainda amanheço e depois durmo novamente nos braços de alguma megera espanhola de grandes tetas, ou de alguma matrona italiana de lábios gulosos e buceta peluda. Um dia, uma noite dessas ainda parto, dormindo no convés de um barco embriagado e descascando batatas em troco de rum. Piratas sanguinários, putas cheirosas e um gosto de dia que não amanhece.

Um dia, qualquer dia desses, depois de beber a noite inteira, acordo feito Drukpa Kunley, o santo budista das 5.000 virgens, e saio pelado pelas ruas, comendo belas e iluminadas bucetinhas em troca de cerveja. Minha iluminação passa pela luz de mercúrio das esquinas cheirando a mijo, sangue e dor. Minha iluminação passa pelas sombras de objetos inexistentes...

Um dia desses ainda deixo esse Inferno e causo uma rebelião no Céu, comendo a bunda cheirando a talco daqueles anjos assexuados. Afinal eu sou Poeta e os poetas são comedores de bundas de anjos. Ainda deixo esse frio dos infernos e vou tocar punheta em algum manicômio celestial. Poetas são santos? Nem demônios, acredite.

Gostaria tanto de pensar que sou livre, que posso sair, apanhar meu barco bêbado e cair de cara no meio das pernas de alguma puta tailandesa pompoarista. Mas por enquanto apenas escrevo para matar as horas que me matam, me consomem, segundo a segundo. E a cada segundo que morre, outro segundo nasce e durante um segundo, reina absoluto sobre a minha vida. E depois que morrem 60, morre um minuto, e depois de 60 deles uma hora; e 24 horas mortas depois morre um dia. Uns após os outros, morrem e renascem todos os soldados do tempo. Um exército sem fim.  Exército invisível.

Qualquer dia desses ainda apanho um barco cheio de putas e, bêbado, mato o senhor do tempo e me embrenho no mar tendo o horizonte por destino. Qualquer dia desses, qualquer hora dessas, a qualquer minuto, a qualquer segundo... 

Eu não bebo pra esquecer, esqueço pra beber. Ainda hoje tomo um porre, pego o primeiro barco sóbrio e me embrenho nas florestas selvagens dos teus pelos pubianos... Ouvindo Rock and Roll e seguindo a ultima banda de Rock que foi criada depois da hecatombe nuclear, as máquinas dominaram o mundo e não há mais Rock and Roll decente, nem bebida decente, nem cigarro decente... Aliás, não existem mais escritores e poetas decentes... 

Queimem os barcos, não pode existir retorno, assim determinou Cortez. Barcos bêbados carregam outros bêbados no convés, feito cegos carregando outros cegos. Barcos bêbados carregam marinheiros cegos e putas tristes e Garcia Márquez ainda tem saudade de ... de seus anjos velhos com asas enormes que caíram no galinheiro depois da tempestade.

Qualquer dia desses escrevo um poema, ou talvez uma crônica... Porque tem que rotular? Um poema pode ser uma crônica e uma crônica um poema, fodam-se os rótulos, fodam-se as regras gramaticais, prefiro as femininas. 

Qualquer um desses dias, ainda acampo em seu quintal em uma barraca de lona rasgada e então vamos fumar e beber e transar e rir e chorar e depois vamos acordar com a angustia de um marinheiro cego que não enxerga a beleza do mar e não sabe que pode sentir tal beleza do mar apenas respirando fundo. Vamos respirar fundo, vamos nos cheirar, vamos nos respirar.  Uma barraca é o que um ser humano precisa para sua felicidade, democracia é uma mentira bem contada. A religião e a democracia são apenas formas de separar ainda mais os seres humanos. Mentiras piedosas e piedade é falsidade e falsidade é mentira...

Qualquer dia desses mergulho no mar, pelado feito um pensamento e depois me afogo na saliva de deusas virgens... Existem deusas virgens? Alguma que Drukpa Kunley nunca tenha comido?  Quero uma cerveja! Sem gelo por favor! Uísque só cowboy, ou com água. Uísque não é cão engarrafado, ô seu Moraes! O cão é que é uísque com rabo e pelo. Mas eu prefiro os gatos. São livres, portanto numa metáfora idiota, gatos são igual a cerveja... Ou aos barcos bêbados.

Em Nova Iorque "as pedras estão inchadas de calor e suando sangue". Este e apenas um dos Fragmentos de Sabonete. Mautner era maldito, agora é figurinha carimbada, cu e rola com Caetano, o chato. Eu gosto mais do Mautner escritor. Mais honesto! Itamar era maldito e Walter Franco deixou de ser, e igual aos outros compondo musiquinhas idiotas... Onde anda a Rebeldia? Morreu nos anos 70... Acabaram os rebeldes ou as causas? Arnaldo Baptista, o falso-louco, perguntou: "Onde é que está meu Rock And Roll?" Pintaram o Arnaldo como Syd Barret tupiniquim.. Que merda! Sempre tem que ter alguém "Fulano Tupiniquim" Ô terra de babaca! Terra de mico de circo. E eu, sou quem "Tupiniquim"? Ah, eu sei, sou o Barata Cichetto Tupiniquim... O original é um ser do mundo, um cidadão universal, que acredita na frase de Kafka, bem interpretada pela minha amiga Anna G.: "Os pés são mais importantes que o chão que se pisa".  Kafka está morto e seu ultimo desejo não foi cumprido. Max Brod foi um traidor. Não respeitou o pedido do amigo moribundo. Não o fosse, não teríamos sua obra a nos contemplar (sim, a NOS contemplar, pois em Kafka a obra é que nos contempla). A decisão de Brod foi uma das coisas mais importantes para a arte mundial, mas foi um ato de traição. Acaso existisse vida após morte, Kafka teria perdoado Brod?? Eu não o perdoaria. E talvez eu faça a mesma coisa: queimem tudo, queimem meus escritos, queimem, queimem, queimem. Renegar e queimar antes de morrer.. Só me falta um amigo pra pedir. E que não me traia como Brod traiu Kafka.

Qualquer dia eu apanho, bêbado, um barco e vou para Praga ver o tumulo de Franz, depois vou até San Pedro, na Califórnia e tentar... Tentar, tentar, porque era isso que na verdade Buk queria. Vou tomar uma cerveja e mijar na grama em volta da lápide. E escrever com urina: “Eu tentei, velho safado!”

Aí, mulher! Quer escutar um som comigo? Porra, agora chamam o ato de ouvir música de “Escutar Um Som!”. Porra, musica não é apenas som. Som é barulho, qualquer coisa, sem ritmo sem harmonia, sem nada. Um peido é um som e não é música; um arroto é um som. Música é outra coisa. Um grito é um som, um gemido é um som. Embora ambos possam ser musica também. Um grito de dor pode ser um Blues, um gemido de prazer pode ser um Rock’n’Roll. Gemido de tesão é musica pura, não é um som apenas. O uivo de um lobo é um som ou uma musica? O miado de um gato, latido de um cachorro... Então, mulher, sente junto a mim e vamos escutar o som dos meus peidos, meus arrotos, e depois eu escuto a musica de seus gemidos de prazer. O grito de dor é a sinfonia do carrasco.

Um dia desses, uma hora dessas, eu pego meu barco e afundo, nas águas quentes do mar da morte. E queimem minha carcaça e queimem meus livros, que isso não é coisa de deixar as gerações futuras que terão problemas demais para ainda ler essas merdas que eu escrevo. Algum amigo Judas-Brod para executar meu testamento? Acaso o querido leitor esteja lendo este texto depois da minha morte, é porque meu amigo me traiu também. Então me faça um favor: rasgue, apague, delete... Ou qualquer termo no futuro que signifique: esqueça isso e vá fazer coisa melhor. Esqueça-me que não quero ser lembrado depois da morte, quero ser amado em vida.  E também caso minha vontade tenha sido cumprida, não há sepultura com lápide para visitar e mijar, porque a poeira não pode ser visitada. Em todo caso em uma lápide imaginária estará escrito: “Fui!”

E antes que eu esqueça alguém me diga se isso aqui é um poema em prosa ou uma crônica... 

15/09/2011


Nude Sea Sirens. 1866 Picture. Lubok?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Respeite o Direito do Autor e Não Esqueça de Deixar um Comentário. É Importante o Retorno, o Sentimento do Leitor.