Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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domingo, março 18, 2012

Os Poetas Mortos da Sociedade


Quantos poetas e sonhadores enfiaram a cabeça no forno e transformaram em um bolo assado seus cérebros atormentados? Quantos enfiaram suas cabeças dentro de laços feitos com as cordas de incompreensão? Quantos apontaram à própria caixa craniana e atiraram sem piedade? Quantos morreram feito ratos, não por covardia, mas pelo desprezo e o asco que se lhes impunham? Quantos enfiaram no próprio peito as facas que lhes cortavam o caminho? E quantos tantos piraram e pairaram sobre a sociedade que lhes engolia e cuspia. Que lhes estuprava e lhes abduzia, mas não lhes seduzia?

Quando o afirma que sua poesia é sua arte é seu trabalho, e que seu trabalho é sua arte, o poeta é tachado de preguiçoso, vagabundo e ermo. O poeta luta, dentro de si, contra uma sociedade que insiste em tratá-lo como demente e inútil. E em colocar-lhe a pecha de doente e pervertido. E um poeta também tem fome, não apenas de diversão e arte, mas de comida e moradia.

Aos poetas a inanição, aos poetas o desprezo... E apenas a morte os consola. Não há saraus, não há ouvintes, não há poesia nos ouvidos e nem nos corações. A poesia está morta, O Rock está morto e sobram apenas a incompreensão e a angústia. E laços, gás, balas, veneno... É o que sobrou àqueles que acreditaram na poesia, que acreditaram...

Não há mais nudez, apenas a mudez e a surdez. Troquem de roupa, coloquem esse uniforme azul claro que transforma a todos em uma massa disforme de carne humana. São todos pervertidos, inumanos e vaidosos. E passem longe de meu velório...

18/03/2012



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