Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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quarta-feira, julho 25, 2012

Dia do Escritor


Dia do Escritor
Luiz Carlos Barata Cichetto


Garanto que eu não sabia que 25 de Julho era o Dia do Escritor, no Brasil. Mas durante a ultima noite, mais uma de insônia, comecei a pensar sobre livros e escritores... Fiquei a imaginar quantos livros até agora na existência da humanidade teriam sido escritos, quantos escritores existiram. Pensei sobre quantos livros foram rasgados, abortados, incendiados em atos de barbárie e ditadura... Enfim, qual seria a estatística literária da humanidade?

Arte nada mais é que uma forma de amor. A melhor delas... Arte é sempre expressão de amor... de alguma forma... Aos dançarinos, a linguagem - nem tão oculta - é a dança; aos músicos a música; aos pintores a pintura. E aos escritores a escrita... Decerto, são TODAS as ARTES, linguagens do interior mais profundo do ser humano. Chamem de alma ou do que preferirem, porque até aos ateus que não acreditam em alma, a ARTE é a mais profunda expressão do sentimento humano.

Acredito que logo a seguir ao desenho, tida como a primeira expressão artística do ser humano, a segunda foi a de escrever. E das pedras das cavernas ao papel e deste aos bytes dos computadores, cumpriram os escritores a função maior de transmitir emoção, cultura, entretenimento... Da palavra falada transformada em linguagem literária, letras formando palavras e estas formando sentenças, parágrafos, páginas, capítulos. Folhas de papel que formaram toneladas e toneladas de livros e revistas e depois toneladas de bytes, megabytes, gigabytes de arquivos de texto.  Contos, crônicas, romances, ensaios, fábulas, tratados, epopéias, novelas, peças de teatro, poemas... Escritos, enfim.

E fiquei também a imaginar uma sociedade humana sem os livros. Mas não da forma como na distopia de Ray Bradbury, sobre livros sendo proibidos e queimados, mas numa sociedade que os desconhecesse. E penso que se não fossem os livros e os escritores a escrevê-los, a humanidade estaria ainda habitando em cavernas, contando uns aos outros verbalmente as mesmas e velhas histórias sobre caçadas de dinossauros.

O fascinante mundo dos riscos tortos que formam as letras que se amontoam e se unem pelo desejo de serem compreendidas. Sozinhas, as letras são apenas riscos tortos, mas juntas formam palavras que também cumprem seu desejo de compreensão e buscam as outras... Feito os seres humanos, de início rabiscos tortos em forma de espermatozóide, as letras buscam o crescimento e a compreensão. E tal como as letras os seres humanos isolados não fazem sentido, buscando nos outros a complementação de seu próprio sentido... E juntos formam famílias, cidades, planetas, galáxias... Retratados por escritores...

O Escritor cria e destrói. De mundos a amores. Lendas e mitos, verdades e mentiras, sentidos e sentimentos, questionamentos e certezas. Assim é feita a existência de um escritor, que gera sem ser pai, gesta sem ser mãe; mata sem ser assassino, morre sem estar morto; condena sem ser juiz, prende sem ser polícia; liberta sem ser herói e vive sem viver.

Então fico aqui a pensar, transformando meus pensamentos em palavras, sentenças, apertando as teclas negras com letras desenhadas em branco, sobre a função e a sina do escritor, sobre a necessidade que a atual sociedade lhe rouba diariamente, sobre que caminho seguir, sobre que linguagem usar... E pergunto: afinal o que é e o que faz um Escritor? E, principalmente, do que é feito um Escritor?

Quando eu, ainda na adolescência, matraqueava uma máquina de escrever o tempo todo, e até mesmo atrapalhava seu sono, minha mãe dizia aos parentes que eu era escritor. Mas não tardou para que ela compreendesse o duro caminho, de preconceito e de dificuldades que eu encontraria. E começou então a ignorar minha faceta. A necessidade, mãe dos pescadores e das putas, tratou de empurrar-me a escritórios empoeirados e as lides literárias foram definidas como desnecessárias e, portanto, deixadas de canto. O feijão e o sonho, o dilema de Orígenes é o dilema da maioria.

Então acabo pensando sobre os escritores bem sucedidos financeiramente, aqueles que alimentam o ego nas prateleiras de livrarias, nas entrevistas de programas de televisão e no fardão da academia. São escritores ou comerciantes de letras? Portanto, o que tenho eu, o que temos nós, a maioria que não consegue o feijão com o suor de seu sonho, a comemorar?

Bom Dia do Escritor! Bom dia, Escritor! Que a terra lhe seja leva e a pena nunca lhe pese na mão.



25/07/2012

2 comentários:

  1. E prosseguimos nessa guerra quase sempre inglória, sem sermos devidamente reconhecidos, e parece loucura aos olhos da maioria a nossa luta. Mas somos, no bom sentido da expressão, uns grandessíssimos filhosdaputa que nunca desistem, e conseguimos até mesmo engrossar nossas fileiras com outros loucos apaixonados pelo que fazem: criar. Criadores, somos deuses, sem o ranço das religiões doutrinadoras, pois que nossa religião é a Arte, no coração de quem sempre cabe mais um, independente de quem seja.

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    1. Somos mesmo, grandessíssimos filhos da puta, que ainda insistimos que, como diz Fernando Trueba, o cineasta espanhol, temos por ideal de sucesso o "realizar", independente do resultado financeiro. E sim, somos homens-deuses, cada um de nós. Porque a Arte jamais foi divina, mas humana! Muito humana. E o artista, que insiste na deidade humana é homem-deus!

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