Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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domingo, julho 29, 2012

E joaok@elemesmo.com.br Entrou no Facebook.


E joaok@elemesmo.com.br Entrou no Facebook. 
Luiz Carlos Barata Cichetto
- Conto -

E joaok@elemesmo.com.br entrou no Facebook. Não, não da forma como todos diariamente entram naquela rede social.  joaok@elemesmo.com.br entrou efetivamente no Facebook. Se espremendo, primeiramente enfiando a cabeça, depois o restante do corpo por aquela minúscula caixa de texto,  joaok@elemesmo.com.br conseguiu apertar com a ponta dos dedos dos pés as teclas que formaram asteriscos misteriosos na caixa de  texto abaixo de sua cintura.

E então,  joaok@elemesmo.com.br entrou no Facebook. Com as mãos apagou um recado malcriado de sua ex-namorada que insistia em atormentá-lo.  E começou ele,  joaok@elemesmo.com.br a passear pelas ruas brancas com calçadas azul claras onde todos aqueles 999 amigos moravam. e visitou um a um, todos eles. Ficou sabendo que a maior parte deles mentiam seus nomes, outros a idade, outros sobre seus relacionamentos e sobre seu próprio sexo. Mas joaok@elemesmo.com.br ficou contente em conhecer todos os seus verdadeiros amigos. Estavam todos ali, ao alcance de suas mãos, muito mais que ao alcance do apertar fremente do botão do mouse. Estavam ali, todos eles.

E joaok@elemesmo.com.br entrou no Facebook e escreveu com a caneta azul que trazia no bolso, recados  no retângulo branco que existia diante das portas das casas de seus amigos. E não era digitado, mas escrito. E joaok@elemesmo.com.br  estava feliz, porque tinha finalmente conseguido entrar no Facebook. E antes de decidir visitar aquelas comunidades silenciosas, decidiu dar uma bela olhada nos seus álbuns de  fotografias. E elas estavam todas elas ali, seguras em suas mãos, amareladas algumas pelo tempo. E em algumas joaok@elemesmo.com.br  escreveu com sua caneta azul, outras rasgou de  raiva, outras beijou. Algumas escondeu no bolso da calça e umas tantas decidiu simplesmente ignorar.

E joaok@elemesmo.com.br estava feliz, embora nenhum de seus 999 amigos tenha percebido sua entrada, sua chegada no Facebook. Estavam todos muito ocupados com seus outros 666, 777, 123,,,  amigos e nem tiveram tempo de perceber que joaok@elemesmo.com.br  estava ali, fisicamente, integralmente. E joaok@elemesmo.com.br começou a ficar preocupado. Aqueles 999 amigos de joaok@elemesmo.com.br pareciam um tanto estranhos assim de perto. Até mesmo sua ex-namorada, que joaok@elemesmo.com.br conhecera pelo Facebook, parecia muito esquisita ali, em três dimensões. Não eram apenas altura e largura em pixels, mas a terceira dimensão era o que mudava tudo. E a maior parte dos amigos de joaok@elemesmo.com.br não tinha a profundidade. Apenas altura e largura em pixels.

Decidiu então procurar novos amigos, pelas ruas brancas emolduradas de retângulos arredondados azuis e andou por veredas que nunca se aventurara. Afinal, existe uma diferença agora, pois joaok@elemesmo.com.br havia entrado no Facebook.... Mesmo. Mas agora não era tão simples e joaok@elemesmo.com.br  não encontrou ninguém realmente com qualidades.... Suficientes para ser seu amigo ou sua amiga. Não iria, portanto joaok@elemesmo.com.br  atingir o numero máximo de amigos.

E quando percebeu que tinha se passado muitas horas ali dentro, joaok@elemesmo.com.br  resolveu que seria hora de sair do Facebook. E passou então, freneticamente a procurar, nos céus e nos espaços em cima de sua cabeça a palavra "Sair".  Mas não havia, não tinha e não existia. Acima de sua cabeça não existia uma nuvem de um azul mais intenso com aquela palavra. Então joaok@elemesmo.com.br ficou ali, caminhando eternamente pelas ruas brancas com calçadas azul claras, visitando amigos que nem percebiam sua presença. E dia após dia, noite após noite, permaneceu joaok@elemesmo.com.br ali dentro do Facebook. Sempre procurando a palavra "Sair", no céu acima de sua cabeça.

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