Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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sexta-feira, agosto 17, 2012

Em Um Tiroteio Dentro de Um Quarto de Espelhos, Sempre Morre Aquele Que Atira Primeiro


Em Um Tiroteio Dentro de Um Quarto de Espelhos, Sempre Morre Aquele Que Atira Primeiro
Luiz Carlos Barata Cichetto
"O Espelho da Vida" - Francisco Cribari -  http://500px.com/photo/4819788


Em um tiroteio dentro de um quarto de espelhos, sempre morre aquele que atira primeiro. Sonhei com essa frase... De manhã outra chegaria em meu socorro: em um tiroteio dentro de um quarto escuro, sempre morre aquele que usa roupas brancas. São apenas frases, sem muito sentido aparente, dentro de meu delírio cotidiano. Ou seria em meu delito cotidiano? Diariamente cometo delitos em forma de delírios. Ou seriam delírios em forma de delitos? Ainda não tenho respostas. Ainda ando solto pelas esquinas e meu quarto é escuro.

Temos medo de espelhos, porque neles enxergamos o Tempo, rasgando nossas peles feito facas, deixando sulcos, rasgos, cicatrizes. Espelhos são monstros que o Tempo criou a fim de nos assustar nas noites de insônia. Mas do Tempo eu não tenho medo! Nós nos deixamos quietos, cada parte em seu lugar no espaço. Ele e eu nos damos bem, nos aceitamos e nos toleramos. Somos inimigos íntimos.

Mas o espelho amedronta, é sádico, é cruel. E pensando bem, o Tempo é um sacana, porque ele mesmo não se mostra, manda espelhos fazerem seu trabalho sujo. A vida é um quarto escuro, onde tateamos, trombamos em mobília inútil, enfiamos a cara nas paredes e pisamos na merda deixada por alguém... Sempre a procura do interruptor que acenda a luz.

Então o Tempo se encarrega de forrar as paredes do quarto com espelhos... Não adianta apagar a luz, não adianta quebrar o espelho. O que quero é enfiar minhas unhas sujas nesse espelho e deixá-lo cheio de arranhões, marcas, cicatrizes... Tal e qual seu pai, o Tempo deixa em mim. Quero arranhar o espelho, fazendo-o sentir na sua gélida pele de vidro a dor que eu sinto... E que tão bem ele reflete.

Escrevo poesias sobre o espelho, gravo minha marca, mas ao contrário de mim ele não sente, não geme de dor... Não reclama. Maldito e cruel mostro criado pelo Tempo para me atormentar! Mas, tome, cretino! Tome, bastardo! Mais um golpe contra sua pele gelada. Amaldiçoe a mim, xingue minha mãe de puta, Grite que eu paro de enfiar minhas unhas-poesias em sua pele. Mas ele não move um músculo, não solta um grunhido sequer... E entendo que, portanto, minhas marcas não surtem efeitos.

Vou parar de escrever poesia! Porque em um tiroteio dentro de um quarto de espelhos, sempre morre aquele que atira primeiro...


17/08/2012

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