Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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quinta-feira, setembro 20, 2012

Manifesto do Politicamente Incorreto ou A República dos Hipócritas


Manifesto do Politicamente Incorreto ou A República dos Hipócritas
Luiz Carlos Barata Cichetto


Eu, politicamente incorreto, honesto por obrigação não por desejo. Honesto por ética e não por moral. Imoral, urbanóide paranóide. Escrevo torto por linhas retas, poesias tortas por linhas certas. Sou esquizofrênico, louco, não de pedra, mas de carne e osso, e muito mais osso do que carne. Não sou religioso, não me interessa a sua alma, me interessam as suas carnes. Falo palavrão, cuspo no chão e escarro na rua. Fumo onde quero e não quero. Quero. E quero por que quero fumar, beber e trepar. Não faço amor, faço sexo. Com amor. Não confio em médicos nem em poetas. Poetas são cínicos, pervertidos e tolos. Também não gosto da covardia dos músicos e seu ego inflado. A musica com letra acabou com a poesia e com a música. Musica é musica, poesia é poesia. Nem consigo mais escutar musica. Aos músicos há tempos que não escuto, porque pouco tem a falar. Não gosto do dia e tenho medo da noite. Quero noites quentes e dias gelados. Não atirem pedras, não atirem balas, a não ser de chocolate. Não aceito as cotas nem as leis de privilégios.  Não acredito na igualdade dos cidadãos, afinal somos todos diferentes e precisamos ter não aquilo que achamos que precisamos, mas aquilo que fizemos por merecer. Trabalho, dedicação e criatividade. Qualquer arte é uma forma de trabalho e qualquer trabalho é uma forma de arte, na Terra ou em Marte. Acordo tarde mesmo sem dormir, durmo quando posso, quando as idéias param de me atormentar e os pensamentos param de soprar. Gosto de mulheres lisas e brancas, com peles quase translúcidas. Aliás, gosto mesmo é mulheres transparentes. Sereias... Aquelas que sabem mergulhar fundo do mar e salvar um escafandrista. Mergulhador sagrado, sangrado. Não discuto política, não gosto de futebol e, portanto não aceito nenhuma religião, nenhum deus, guru, ente superior. Sequer um pensador, filósofo e muito menos artista, ninguém que é ou foi de carne e osso merece devoção. E quem nunca foi de carne e de osso não merece nada. Destruo tudo que é sagrado, aniquilador de mitos e ídolos. Não culpem minha mãe, nem meu pai. Culpem-se a si mesmos! Nunca acreditei em "Paz e Amor", nem na "Liberdade". São conceitos que não existem. Tolos conceitos cinematográficos criados para enganar trouxas. Acredito na guerra alimentada pelo caos, no sexo que traz à carne o que é da carne, o prazer. Sou carnívoro, fumante e ateu, por vezes beberrão. Sim, tudo isso, mas não fico pregando sustentabilidade comendo pizza assada em forno a lenha que chegou até mim junto com um refrigerante embalado em plástico, trazido por um explorado motoboy numa moto à gasolina. Não sofro com a guerra a milhares de quilômetros, mas com os tiros na favela ao lado da minha casa. Não sofro com o Islã, nem me importo com árabes, judeus ou palestinos, pois ao meu lado existem crianças recrutadas pelo crime... E não me importo porque me importo em me importar, mas me importo por medo que essa criança enfie uma bala na minha cabeça. Não me importo com aqueles que fumam "crack" e se fodem de bebida. Danem-se todos. O problema é pessoal, não transferível e não sou obrigado a pagar a conta. Não transfiram a mim a conta do social, eu não quero pagar por ninguém e ninguém tem que pagar por mim. Não tenho emprego, nem aposentadoria. Queria um pijama e um jogo de dominó, mas tenho que trabalhar senão não como. Aluguel custa caro e não moro em barraco de favela. Não tenho carro nem nada daquilo do que possa me orgulhar ou me envergonhar. E, aliás, não tenho orgulho de ter nascido num país cuja formação foi a partir da mistura de proscritos portugueses. Tenho orgulho de não ter vergonha de ser brasileiro e não tenho vergonha de não ter orgulho. Não sou brasileiro, tenho sangue italiano, mas nunca sai do Brasil, a Itália é longe e estou cansado de andar. Não gosto de praia e nem nunca fui à Bahia. Nem quero! Não tenho orgulho de ser branco nem desejo de ser negro. Mas tenho sim meus preconceitos. Tenho preconceito contra gente preguiçosa, estúpida e hipócrita. Tenho preconceito contra a imbecilidade, contra a boçalidade e contra a banalidade consagrada. Tenho sim, preconceito contra fanáticos religiosos e contra ateus que fazem da sua não-crença um fanatismo tão imbecil quanto. Não recolho cachorrinhos abandonados na rua apenas para mostrar o quanto sou correto e bom. Não gosto de piadas preconceituosas, mas respeito o sagrado direito do humorista em contá-las. Não assisto televisão, não vou ao futebol e detesto esportes. Ando de pés no chão, e às vezes fico dias sem tomar banho. Sou sim, porco, safado e nojento, mas se olharem dentro dos meus olhos perceberão o quanto posso ser bom. Ou mau! Nunca aceitei o aborto, porque a única coisa que é sagrada é a existência de um ser humano. Não sou moderno, nem antiquado, mas matar em nome da liberdade pessoal é tão criminoso quanto qualquer outro motivo. Aborto não pode ser tratado levianamente como "decisão da mulher sobre seu corpo". A mulher tem sim todo o direito ao seu corpo, a sua vida, mas não sobre a de outro ser que não tem direito, nem opção. Aborto não é opção, é crime. Mesmo em casos de estupro, que já por si só é um ato criminoso. E não se combate um crime com outro. Abortar não é ser "legal", uma menina de 10 anos de idade transar e mesmo usar roupas provocantes não é natural. Mas as pessoas, pressionadas por uma pela mídia comprometida com valores estritamente financeiros acham que é. Tudo ficou natural, tudo é "da moda", e se é da moda fazem tudo sem pensar em consequencias.  Transam sem pensar e mesmo sem desejo, apenas por transar; têm filhos sem a menor condição psíquica e financeira, depois os deixam sob a tutela de programas sociais fajutos; usam drogas apenas por usar, sem a consciência de causa e consequencia; bebem e vão a baladas não por diversão, mas por ir, porque têm que seguir a manada; consomem inconsequentemente sem necessidade. Pessoas sem cérebro e sem vontade própria agindo feito porcos contentes com a imundice onde vivem e a lavagem que lhes enfiam goela abaixo. Não dou esmolas nem cigarros pelas ruas. Cegos não precisam de ajuda, precisam de olhos. Piedade é hipocrisia, perdão é mentira e caridade é egolatria. Pobres não precisam de ajuda, precisam de trabalho e educação. Educação libertária. Ensinar a pescar, não dar o peixe. “Ai, Doutor uma esmola a um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Luiz Gonzaga & Zé Dantas cantaram isso ainda na década de cinquenta. Mas o que temos agora é um bando de cidadãos mendigos vivendo às custas das esmolas dos políticos. Espertos mendigos nojentos e espertos políticos nojentos. Escrevo por pensar, penso sem respirar. E ainda nem falei das flores e dos soldados que morrem numa guerra que não é deles. As flores cheiram morte, eu sentia isso antes dos Titãs. E Geraldo sumiu pelas estradas do tempo, “caminhando e cantando e seguindo a canção”. Um, dois, três! É, preciso respirar... Um parágrafo? Certo!

Bossa Nova é um lixo e Samba é uma merda. Rock foi bom, agora não é mais. Odeio roqueiros de guitarras berrantes, cabelos alisados e gritos retardados. Camisetas pintadas para uma guerra que nem sabem onde é. Não sei contar história para boi dormir, nem pra vaca transar. Não ordenho, nem sigo ordens. Não bebo leite e odeio cheiro de maconha. Da pedra nunca saiu leite e Madalena nunca foi roqueira. Não sou Judas, nunca existiu nenhum plano secreto de Jesus, porque ele nunca existiu. Parem de ser enganados por um livro. Acreditem nos livros, nunca em um livro. Escreva o seu! Se puder! A Internet acabou com as putas e com os poetas. Agora todos são putas e são poetas e ninguém sabe a diferença entre eles. “Beatniks” de escritório, funcionários públicos com empregos garantidos. A estrada agora é apenas virtual, por onde correm bites e bytes. Ainda sabem escrever à mão? Ao menos datilografia? Tenho diploma de datilografia e de telex também. Ninguém sabe o que isso... Escrevi muita poesia em ônibus balançando a caminho do trabalho, em banheiro de escritório e com papel apoiado nas costas de putas de puteiros baratos. Há anos não vou à puteiros e nem a bibliotecas. Ambos estão cheios de velhos funcionários públicos prestes à se aposentar, tão empoeirados e mofados quanto os livros e as putas que ainda resistem nas prateleiras e nas camas. Mofados, embolorados feito meu cérebro nesse porão periférico que temos por lar. Não preciso das luzes da cidade, nem dos tempos modernos. Não vivo pelas luzes da modernidade. O ódio não é o antônimo do amor. Amor é um conceito fraco e vago, ódio é real. Perdão não extingue o ódio, disfarça, adia; perdão é um conceito moral, religioso e hipócrita. Não aceito traição, pois tenho a fidelidade por padrão ético, não por conceito moral. Fidelidade é caráter, é inato, congênito. Antes as putas e os poetas davam prazer e dor e eram pagos por isso, agora trabalham de graça. Antes, eram felizes com suas canetas e suas bucetas, mas agora esses instrumentos não dão mais prazer. O tesão é apenas digital, eletrônico. Chega por correio eletrônico em máquinas sem cérebro. Até a poesia e o tesão são hipócritas. Mas, "ora direis", que hipocrisia é inerente ao ser humano, presente na sua genética desde os tempos antigos em que os homens começaram a andar em bandos. É uma necessidade. Tal e qual cagar é uma necessidade. Mas não andamos por ai, cagando em qualquer lugar. Claro que uma sociedade humana sem hipocrisia estaria fadada à destruição rápida. Imagine um dia em que todas as pessoas do mundo, contaminadas por algum vírus, não conseguissem ser hipócritas... O planeta explodiria numa guerra antes desse dia terminar. A hipocrisia é uma forma fugaz de mentir e a mentira é um roubo. Roubo de confiança e traição, e, portanto, o pior dos assaltos. Aliás, a poesia, como todas as artes, é hipócrita, apenas mentira. Sou politicamente incorreto, rigoroso, exigente e pedante. Não sou solidário, sou solitário e retrato agora a frase de Nietzsche sobre nunca apedrejar a um solitário, pois as pedras que chegarem ao fundo jamais poderão ser retiradas. Então, se forem apedrejar-me, que seja até a minha morte. Ou será a sua que eu assistirei.

19/09/2012

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