Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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quarta-feira, outubro 03, 2012

Cansei de Música!


Querido Cantor e Instrumentista, Ex-Parceiro e Ex-Amigo:

Primeiramente quero lamentar pelo homicídio que acabastes de cometer. Sim, pois com sua atitude prepotente e arrogante, acabastes por jogar no esgoto as mais belas músicas que escutei nos últimos tempos. Um maravilhoso conjunto de letra e musica que foi abortado, jogado na latrina por conta única e exclusivamente de sua vaidade. Do primeiro momento em que percebi algo de errado e decidi ligar para sua residência, passando pelas suas evasivas e negativas em explicar os motivos, até as ultimas horas, em que tenho feito análises e auto-criticas do ocorrido, tenho amargado a sensação, mais uma, de traição.

Há muitos anos convivo com músicos e é notório, na maioria deles, um egocentrismo exacerbado, uma vaidade sem limites e narcisismo. Músicos de forma geral acham que são semideuses. Ao menos a grande maioria é assim e, sinceramente, achei que você eras diferente. Mas agora, lembrando os fatos ocorridos desde o momento em que começamos nossa "parceria" chego à conclusão que não era. E foi esse, decerto, o motivo principal, senão único.

Desde o principio ficou clara sua arrogância em demonstrar suas qualidades artísticas e principalmente seu desejo de brilhar em palcos. Lembro do dia em que eu, sentado num sofá em sua casa, me senti humilhado com suas demonstrações de suas qualidades, de sua "genialidade" a uma platéia solitária. Mas, como meu objetivo ali, era fortalecer aquela amizade e parceria, e também por estar em seu território, calei-me. Afinal, eu era apenas um mero letrista, alguém que tinha escrito poemas que o “glorioso musico” estava fazendo o favor de musicar. E foi ai, quando imaginei que seria a realização de um sonho, que o pesadelo começou. E como todos os pesadelos, quando estamos no meio deles não sabemos que se trata de um, apenas quando acaba.

Desde o principio deixastes a vaidade falando alto, criando caso quando eu, na montagem final da musicas coloquei meu nome antes do seu. Era simples para mim isso, a despeito das regras estabelecidas, que o meu estaria primeiro pelo fato as poesias terem sido escritas bem antes. A ordem é essa: primeiro nasceu a poesia, depois a musica. E ai, onde o caro cantor e instrumentista, a quem eu julgava dono de uma sensibilidade impar começou a deixar sua vaidade tomar conta. Pois o que suscitou a sua composição musical foi a leitura de meu poema, foi o conteúdo e a forma do que eu escrevi que lhe deram o impulso e os caminhos da composição. Se eu tivesse escrito um poema em cima de uma musica sua, o que ocorreria seria o oposto. Mas isso, pouco importa quando a vaidade impera sobre a razão e até mesmo sobre a sensibilidade criativa. Realmente, o grande musico e querido cantor e instrumentista nunca percebeu realmente o que é processo de criação. E mesmo quanto se afirmava “isto não é musica, são poemas musicados”, estava sendo falso e hipócrita. 

Ah, a vaidade, é ela a culpada de inúmeros crimes cometidos na história da humanidade. A vaidade é a mãe de todas as guerras e a responsável pelas diferenças sociais e muitas outras mazelas. E foi ela a responsável por mais uma. Entendi claramente que nunca aceitastes a idéia de que formávamos uma dupla de compositores. Como eras o cantor e o compositor da música, o "astro", seu nome deveria figurar solene e único em todas as coisas, do CD ao Blog ou qualquer material de divulgação. Que heresia a minha, não! Que petulância essa minha, em achar que eu, um mero poeta, pudesse ter meu nome figurando ao lado de tão nobre cantor. Absurdo isso, não?! Desde o começo quando lhe falei em colocar dessa forma, não gostastes. E pior ainda, só fostes falar sobre isso muito tempo depois. E para piorar, segundo sua concepção torta eu impus isso. Não, querido cantor, não impus isso e tenho guardado comigo as mensagens sobre esse assunto. Disse-lhe que ficava um tanto incomodado, que achava injusto o fato de que a maioria das pessoas não sabiam e nem se preocupavam em saber que era o autor da letra, e que, como aquilo era um projeto de uma dupla de compositores, que seria justo que meu nome figurasse, mesmo que em segundo plano, embaixo do seu e com letras de menor destaque como fiz. Mas isso era demais para o seu ego de musico, seu ego de “artista”. Eu queria apenas ter a parte que a mim cabia, como co-autor das musicas, fato que também não é tão inusitado assim. E sempre entendi que o que “vendíamos” era um projeto de composição, não o SEU CD. E como você arrematou em nossa conversa telefônica: "Esquece esse papo de ‘Ciro & Barata’: isso não existe". De fato, eu sempre me referi ao "nosso" trabalho, "nossas" musicas, mas as suas postagens eram sempre na primeira pessoa do singular. 

Quando escolhemos as musicas, 19 entre 40, de comum acordo, fiz a montagem do CD, capa e arte, montei um blog com o nome da dupla, passei a buscar apresentações e o levei para o lançamento do meu livro. Os contatos que fiz, como apresentação no CEU não lhe interessaram. Era coisa de pobre e o grande e aplaudidíssimo cantor queria coisas maiores, grandes palcos, luzes. Concordei para não criar atritos, mas a partir dai percebi o que pretendias e decidi deixar as coisas por sua conta.. Paralelamente a isso, fiz cartazes para divulgar o SEU trabalho, passei três dias montando e upando videos para o “You Tube”. Três desses vídeos precisaram ser refeitos depois de prontos porque você não concordou com a frase que definia o seu trabalho, num arroubo de falsa modéstia. Concordei, refiz todo o trabalho. Horas e horas de trabalho jogadas fora para atender a sua vaidade. 

Mas o que foi decerto a gota d'agua, ou a desculpa que precisavas para simplesmente, sem sequer uma conversa, romper uma amizade e uma parceria, foi  com relação a artigos por mim escritos que geraram polêmica fazendo com que um bando de retardados atacasse, sem sequer escutar, um dos vídeos, criticando o cantor. Era claro que o alvo desses ataques era eu, pois imaginavam que era eu cantando ali. Mas é claro também que isso lhe incomodou. As criticas, mesmo que indiretas, o incomodaram e ademais, ser associado a alguém que causa polêmicas, que escreve palavrões e fala o que pensa não era exatamente o "Marketing" que você pretendia. Afinal, um grande cantor, com tão esplendida e brilhante carreira não podia ser associado a um poeta briguento, cabeludo. Isso pegava mal, feria de morte. Feria de morte sua vaidade. A verdade e a briga não fazem parte da sua vida. Mas da minha são fatores essenciais. Nunca me escondi atrás de médicos nem de remédios. Não uso nem usei drogas de nenhuma espécie. Portanto, não vejo o mundo sob a sua ótica, mas da forma como ele é. E isso foi demais para sua cabeça.

Tem horas que realmente penso que deveria dar ouvidos aos meus instintos. E se a eles eu desse ouvidos não tomaria tanta porrada. Achei muito estranho quando me falou que tinha registrado as musicas numa editora musical apenas em seu nome, e ainda afirmando que não tinha feito também no meu por que era “mais fácil assim”. Esquisitissimo isso, pois afinal, a partir desse registro, a tal editora pagaria apenas a você eventuais lucros advindos das musicas. E me falastes isso depois de consumado. Era realmente muito estranho, mas confiei em sua pessoa, a despeito do meu sentido me acusar algo estranho nessa atitude. E até porque todas as minhas poesias têm direitos autorais registrados. E olhe, querido cantor, a sua incoerência: o simples fato de eu ter colocado meu nome junto ao seu foi considerado por você como um ato de ditadura, mas o de você as registrar numa editora sem meu conhecimento, como se as musicas fossem apenas suas, não. É, a vaidade é entre outras coisas, incoerente!

Outro fato que lhe causou comoção foram trechos de uma crônica que escrevi, onde falava entre outras coisas que “musica é matemática” e colocava o fato de que depois que se resolveu colocar letras nas musicas, se acabou com a poesia. De forma geral não entendestes absolutamente nada do que escrevi, e mais uma vez, a vaidade lhe cegou. Com relação a primeira afirmação, isso é um fato que não deprime o talento dos músicos, mas é um fato comprovado num recente estudo feito pelo mais potente computador do mundo, da NASA, que chegou a conclusão que em 10 a 15 anos estarão esgotadas as possibilidades de combinações de notas para a criação de musicas. Isso, meu caro cantor e instrumentista, nada mais é do que provar que musica é matemática, sim. Agora, lhe pergunto, tal estudo com relação a combinação de letras que embaralhadas criam a poesia daria o mesmo resultado? Não daria! Mas isso pouco importa, pois se formos pensar com clareza, qualquer coisa, até mesmo a própria vida, pode ser encarada como matemática. E isso não depõe contra seu valor. Mas, entendestes isso como uma ofensa mortal e pessoal. Aliás, sabes o que também é matemática? A vaidade dos músicos! O resultado matemático é sempre o mesmo: EU!

Desculpe se estou tomando seu tempo precioso, mas esta mensagem é necessária para que meu ponto de vista seja exposto. E a titulo de informação: todas as referencias ao nome da dupla de compositores foi removida, incluindo os vídeos. Para mim essa história acaba aqui. Mas uma coisa lhe deixo bem clara: remova também todas as referências as MINHAS poesias de todos os lugares onde porventura as tenha colocado. Principalmente da tal editora, pois se essas musicas vierem a publico, saberei recorrer sobre meus direitos. E não ouse, nem no banheiro da sua casa, usar uma de minhas criações em suas musicas. Pois garanto que se o fizer, irás conhecer um lado meu que não acredito que vais gostar. Em palavras mais simples: estás absolutamente desautorizado legalmente por mim a usar uma sequer linha de um poema meu. 

Ficamos em paz, cada um tocando sua vida como sempre. Desisti finalmente do sonho de ter minhas poesias musicadas. Desisti de um sonho para que ele não se transforme em outro pesadelo.  E por ultimo: é totalmente desnecessário perderes seu tempo em responder a presente mensagem. Já perdi tempo demais. Use seu tempo para compor suas magníficas musicas que um dia poderão estar nos palcos mais refinados do mundo, sem minhas poesias, é claro. 

Atenciosamente
Luiz Carlos "Barata" Cichetto
Escritor, Poeta, Webdesigner, Artesão, Editor Artesanal e Webradialista
Site: www.abarata.com.br
www.baratacichetto.blogspot.com


28/09/2012

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