Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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domingo, dezembro 30, 2012

Feliz Ano Novo (2 Poemas de Anos Diferentes)


Feliz Ano Novo
Luiz Carlos "Barata" Cichetto
Do Livro: "Sangue de Barata"


Acaba o ano e eu também acabo agora mesmo
Termino do jeito que comecei, sem eixo e a esmo.
A mão que ergue é a mesma que joga ao chão
Mesma mão que acaricia e abandona ao colchão.

Amanhã um outro dia nascerá ao contrário de mim
Que agora sem começo deixo quedar ao próprio fim
Todos irão ter as lembranças das minhas mazelas
Sem que percebam ou sintam as minhas seqüelas.

Há tempos sem lembrança estou morto do pescoço acima
Do pescoço para baixo pouco restou da minha pobre rima.
Estou morrendo a quarenta e cinco anos, e não é pouco
Agradeço a meus pais por não terem tido um filho louco.

Acaba o ano e estou aleijado do pescoço para baixo agora
Acabou. Certo! Não existe mais a minha pequena senhora
Ainda amo o objeto do meu amor, ainda tenho fome e sede
Ah, mas o que me resta apenas é deitar e dormir na rede.

31/12/2002

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Feliz Ano Novo
Luiz Carlos "Barata" Cichetto
Do Livro: "O Cu de Vênus"


Estou bêbado, cansado e infeliz... Ah, um solitário, enfim
Mas então o que sobra de um ano que chega ao seu fim?
Anos acabam anos começam, calendários apenas tristezas
Relógios são jóias e jóias são apenas pedaços de riquezas.

Não tenho propriedades e não sou dono do tempo, afinal
Apenas espero chegar o tempo, e tempo é estrada vicinal
Morro porque o tempo corre, corro porque o tempo morre
Morto ao meu tempo e o tempo é apenas vida que escorre.

Agarro os ponteiros de um relógio dourado, a força aplico
Mas não tenho poder de o tempo deter, um dia lhe explico
Uso então a frieza do tempo mostrando que morro ontem
Porque o tempo é morte, ao contrário do que lhe contem.

Bêbado, cansado e infeliz, busco quedas de braço inglórias
Pois com o tempo tenho brigas históricas e poucas glórias
Ao tempo tenho que pagar a conta da minha morte, amém
Sabendo que ao tempo nada devo, nem agora e nem além.

31/12/2009

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