Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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terça-feira, março 05, 2013

Falo

Falo
(Prefácio ao Livro Homônimo)
Barata Cichetto
Desenho de Carlos Zéfiro


Falam que sou porco, bêbado, tarado
E justo eu, que de beber tinha parado
Falo muito, falto alto, o que penso falo
E por que penso, falo por que não calo.

Falo muito, falo forte e falo rígido
Tagarela, cuspidor, nunca frígido
E a fala é que não cala, sou tesão
Tarado e bêbado, porco e artesão.

Pois não cuspas em meu rosto
Que lhe causo o farto desgosto
E se sentes pavor da minha fala
É que seu medo é o que lhe cala.

Falo o que quero e o que desejo
Pois a minha fala é o meu beijo
E se eu não mato, morro ou falo
Não morro, mato e não me calo!

E quando falo, falo pinto, porra e caralho
Falo é minha profissão e poesia o trabalho
O pinto um instrumento quase litúrgico
Com que abro carnes em ato cirúrgico.

E enquanto falo ouço gritos altos de dor
Alto lá, queridas, eu não sou estuprador
Apenas falo e falar pode acordar o mundo
Embora creia que falo coisa de vagabundo.

Sei do que falo, não falo só por falar
Não sei quando calo e não sei calar
E meu falo quando falo cresce duro
Falo com o falo e a língua, asseguro.

Minha língua é meu falo, minha cara
Cara amiga, que a mim se escancara
E sem falácia, sem drama e sem medo
Guardo em minha língua seu segredo.

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