Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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quarta-feira, maio 22, 2013

Os Quatro Quatros


Os Quatro Quatros
Luiz Carlos Barata Cichetto

Quatro quatros, quatro quartos, um quarto, dois quartos, uma cozinha. Quarto e cozinha, periferia de sonhos. Porão de cimento, favela de concreto, edifício de aço, prisões suburbanas, desumanas. Morar, residir, habitar. Querem ser donos de tudo e eu tenho que alugar a vida para poder respirar.

- Quanto é o aluguel da vida?
- Não, não tenho como comprar, talvez só alugar, mesmo.
- Paga adiantado ou depois de usar?
- Tem contrato?
- Onde fica a imobiliária?
- Tem seguro fiança?
- Onde fica o banheiro da vida. Quero cagar!
- Dá pra custar mais barato o aluguel, por favor. Sou desempregado!
- Ah, não tenho fiador...
- Não dá pra alugar? Sim, dou a vida como garantia.
- Não serve? Ah, sei, minha vida não serve como seguro fiança.
- Mas e se eu não alugar não tenho como viver.
- Sim, claro, problema meu!
- Por favor, aluga um pedaço da vida pra mim, a senhora tem mais... Recebeu muitas por herança...
- Não, eu sei, é uma viúva e vive da rendinha dos alugueres de que o falecido lhe deixou.
- Entendo. Mas eu só queria um pequeno pedaço da vida pra poder morar.
- Eu sou poeta, não tenho holerite de pagamento.
- Banco? Ah, não, minha senhora, Só conheço o banco da praça.
- A periferia da vida custa mais barato?
- E se eu não tiver como pagar aluguel, a senhora entra com ação despejo?
- Onde é o cartório?
- A senhora tem quatro quartos, quatro quatros. Eu só quero um quarto, que seria o mesmo que vinte e cinco por cento. Não tenho direito?

... Desligou!

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