Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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terça-feira, junho 16, 2015

Barata Sem Eira Nem Beira - Programa 09


Patti Smith - People Have The Power (Spoken Word) 2014
Poesia: Barata - Amorte 2
Patti Smith - Gimme Shelter
Lou Reed - Pale Blue Eyes
Camisa de Venus e Walter Franco - Canalha (Ao Vivo)
Dríade - Noite Tenebrosa
Bad Axe - 01 - Cities Of Rage
CWT - The Hundredweight (1973) - Steam Roller
Geordie - House Of The Rising Sun
Poesia: Barata - Sobre Prazeres e Cigarros
Rainbow - Long Live Rock 'N' Roll
Status Quo - Bye Bye Johnny
Made In Brazil com Cornélius Lúcifer - Kamikaze do Rock - 1987
Poesia: Poema em Linha Reta - Fernando Pessoa
Crom - Morbid  Existence

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Sobre Prazeres e Cigarros
Barata Cichetto
(Registrado no Escritório de Direitos Autorais da FBN
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Há imensa ciência ao fumar. Ciência perfeita. Pegar o maço e arrebentar o plástico do lacre, feito hímen, tirando a virgindade de uma dama carente de ser consumida.  Não espero compreensão de um cigarro quando o queimo até o fim. Ele não me ama, eu não o amo, apenas eu o consumo até não restar a não ser cinzas. Feito seres humanos que convivem em relações amorosas. Se consomem até não restar senão cinzas. "Das cinzas as cinzas, do pó ao pó", não é isso que está escrito? Meu cigarro queima nos meus lábios e eu o consumo até o fim. E sou consumido por ele, numa antropofagia mutua e consentida. Há delícia e prazer nessa relação antropofágica. Em todas. Eu consumo o cigarro, consumo a fumaça que entra nos meus pulmões e o devoram. Vermes. Malditos. Eu sou o verme que consome a si mesmo. Me devoro e tento me decifrar. Morro sem saber. Sou verme, sou morto ainda vivo e vivo o que respiro. Há ciência no fumar. Há vida no cigarro, quanto possível de haver vida na morte e morte na vida. Esquisito? O que há de esquisito em morrer?

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Amorte 2
Barata Cichetto
(Registrado no Escritório de Direitos Autorais da FBN
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Pois é impossível não feder morando num chiqueiro
Como não é possível não foder vivendo num puteiro
E se há a bosta dos porcos e o perfume das putas
Existe também o cheiro dos que perderem as lutas.

Putas cheirando a talco e porcos exalando seu cheiro
Nem todos estão mortos num cemitério, há o coveiro.

A morte é simples, tem cheiro de bunda de criança
Mas não há a merda e nem o cheiro da esperança
É matemática pura como quatro são dois mais dois
História em que existe o antes, mas nunca o depois.

Num mundo de impossibilidades ainda é possível
Criar a poesia do nada e rimar com o impossível.



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