Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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quarta-feira, janeiro 27, 2016

Prefácio ao Livro "Manual do Adultério Moderno", Por Jorge Bandeira

Pervertidos de Todo o Mundo, Uni-vos!
Jorge Bandeira
 

Um Manual do Adultério Moderno com todas as características de obra inacabada, como se a gozada fosse interrompida no ápice da foda. A explicação seria biológica e não literária, pois as manifestações corporais tem limite, ao contrário das invenções e inovações de cunho litero-poético, e neste libelo pornográfico existe uma confraria de hereges e profanos de não mais se esgotar no tempo e no espaço, vitimados pelo maravilho fluxo de consciência de Luiz Carlos Barata Cichetto. Sade está tocando uma punheta no túmulo agora. São informações sexuais estapafúrdias, mas estranhamente possíveis, pois as neuroses humanas são infindáveis, são dinâmicas e o que é melhor, não são como as teias falsas da política: são todas verdadeiras e sem titubeios, não há rabo preso aqui, tudo se fode e é fodido. Um vodu da putaria desregrada, um ritual linguístico onde a língua penetra em todos os buracos do corpo humano, de animais, plantas e o caralho que exista em toda a imaginação planetária. Vômito e substâncias em profusão. São jatos aleatórios que se agrupam dentro de uma lógica sexual, ou um caos erótico, exorcismo sádico engendrado pelo poder de uma palavra criatura, palavra criada pela cabeça pensante e antenada de Luis Carlos Barata Cichetto, o representante oficial do Marquês de Sade para o Século XXI. O resto são migalhas que Barata rejeita neste mundo de escapadas ao convencional ululante, como diria outro pervertido odiado, o senhor Nelson Rodrigues. E haja putaria, pois a putaria é como um manifesto subterrâneo da alma humana que está aprisionada em todos e todas, ninguém assume, mas todos querem ou fazem na primeira oportunidade das madrugadas, nas fugas da vigília alheia. Homo Putaes Sapiens e não se fala mais nisso. O que é engraçado nisso tudo, apesar da seriedade do tema em questão, é que Barata também é sinônimo de Buceta (vide o dicionário do palavrão do Glauco Matoso!). A chave para se entender esta literatura, este ensaio sincero de um homem que tem a música e os livros em sua imensa cabeça de glande, ops, grande pensador contemporâneo é ativar no ato da leitura estes comandos que são fragmentados por pontos como se fossem um coito de cada vez, o que por si só já mataria qualquer um de exaustão sexual, uma overdose de sexo, com frases ditas como ejaculações e fluidos sexuais que nos desafiariam ao limite de nosso corpo. Prepare seu Viagra homens, batam muita siririca, mulheres, gays e lésbicas deleitem-se com o banquete de prazeres incontidos, e tudo isso com as bênçãos do Papa Francisco. Eis o que seria este livro de comilanças escrito pelo Barata. São frases diretas, citações de livros e músicas, tudo isso mapeado e colocado em nota de pontapé, com todo cuidado, pois aqui se pode ler até de camisinha para não se fuder mais adiante, ao longo de suas páginas, pois a pica do Kid Bengala ainda vive! O risco ao se ler também é evidente, o leitor trava uma batalha com seus impulsos mais recendidos, no universo destas palavras-nervo, uma nervura de corpo esponjoso como uma piroca que vai crescendo a cada página que se vira, em cada sofreguidão que o corpo e a cabeça absorvem do que está ali impresso para sempre. A nervura da mente não mente, despeja suas paranoias infindáveis, são como aqueles antigos filmes de putaria chamuscados pelo tempo e que agora o computador retrabalha para ficarem colorizados, vívidos, como se a putaria avançasse neste momento a cada um dos leitores, feito um jogo paciente de montar um quebra-cabeça da pica e da buceta, onde o último pedaço, a derradeira fatia que seria o gozo essencial, é deixado de lado, pois a foda não se completa tão facilmente por aqui. Ponto. As músicas viram orgias e zoofilias, elas estão aqui a serviço da putaria, espasmos se foram descomprimidos pelo Barata, imagine a cena como se o culhão do Robert Plant sem cueca espocasse a calça apertada num show do Led Zeppelin enquanto ele canta Stairway to Heaven e o Page aloprava naquele inesquecível solo de guitarra. É isso que é o Manual do Adultério Moderno, uma literatura onde nada se esconde, tudo, explicitamente, é mostrado ao leitor. Não aprecie com moderação. Viagre-se até explodir sua pica ou escancare a buceta e o cu até não mais aguentar de prazer. Tudo aqui está a serviço da putaria, dos fantasmas de pau duro, das bucetas incendiárias, dos cus piscantes de todo mundo, nesta confraria de Rabelais, nas galas ejaculadas de Pasolini assassinado, nas perversões lindas de Pauline Reage (História de O), nas confissões de Gaetane (História do I), este é um libelo de toda literatura erótica e pornográfica que você, leitor e leitora, já ousaram ler e fazer. Tente fazer algo do que estas páginas indicam e serás feliz, ou pelo menos vai ter um prazer, e prazer e gozo é o que há neste mundo fudido e mal pago. A gente aqui é fudido, mas goza junto. O sêmen da alucinação carrega pensamentos que se encontram e desencontram ao longo desta obra, numa espécie de urgência literária, de alguém que ou fode ou se fode. E ainda bem que o senhor Barata deu um basta nisso, ninguém pode fugir do sexo, ele é elemento perigoso e de utilidade pública, como as putas que equilibram a vida social, afinal, todo cristão tem tesão. Aqui toda a palavra foi possuída e nem me venha com exorcismo da palavra, deixe o Ç ir tomando no cu porque ele gosta. Deixe a letra A assim mesmo, bem aberta para levar vara. Deixe o B parecer estas tetas que você sente vontade de apertar. O alfabeto que forma este texto do senhor Barata é esta putaria mesmo. É como se o Zé Celso, bem velho agora, tivesse o último pedido atendido pelo gênio da lâmpada e fosse enrabar o dicionarista Antônio Houaiss. Isso é este livro. Eis a compulsão da palavra. As palavras também são estupradas, e elas gostam de fuder e de serem fudidas por aqui. Aqui o Rio Negro vira uma foda amazônica, Alice no País das Maravilhas vira Alice Cooper depois de experimentar o cogumelo da lagarta azul ou o chá de ayahuasca servido pelo Chapeleiro Louco de nome Syd Barrett. Eu não sei mais nem o que dizer depois de ler tudo isso numa cusparada só, vou para por aqui e tentar comer alguém, ou ser comido. Como diria o saudoso poeta pornográfico Marcileudo Barros: das coisas mais santas e sagradas deste mundo, eu gosto mesmo é de fuder.
    Jorge Bandeira
    Manaus, Setembro de 2015

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