Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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segunda-feira, março 27, 2017

Barata, Que Bicho é Esse?

Barata, Que Bicho é Esse?
Foto: Marli Abduch

Barata Cichetto é o nome artístico do paulistano Luiz Carlos Giraçol Cichetto, poeta, escritor, artista plástico, produtor e apresentador de webradio e editor artesanal.  O apelido kafkiano de "Barata", surgiu em função de um site cultural de grande prestigio criado em1997, e nos primeiros anos do século XX, se tornou uma referência dentro do mundo do Rock e da Poesia.

Filho de família pobre, de italianos, desde garoto, em função de sua extrema timidez, buscou nos livros a companhia às brincadeiras e jogos a que os garotos da época preferiam. Segundo palavras do próprio, a respeito de seu ano de nascimento: "nasci no mesmo Ano da Graça de Cazuza, Madonna, Bruce Dickinson, Tim Burton e Michael Jackson." E nos primeiros anos da década de 1970, era comum encontrá-lo nas salas das bibliotecas públicas, onde começou a ler os clássicos, como Machado de Assis e Aldous Huxley. Ou em casas de amigo escutando discos de Rock, já que dinheiro para comprar livros ou discos não existia.

Começou a trabalhar com 14 anos, como office-boy onde conheceu as ruas escuras do centro de São Paulo e toda a fauna louca que por elas perambulavam nas madrugadas, particularmente as prostitutas de rua, que foram suas primeiras musas inspiradoras. Foi nessa época que conheceu a musica e a poesia do americano Lou Reed, figura fundamental no desenvolvimento de sua poesia, com suas histórias a respeito dos mesmos personagens que habitavam o mundo do adolescente Luiz Carlos. A partir daí, para a poesia de Augusto dos Anjos, Rimbaud, Baudelaire e outros "poetas malditos" foi um salto pequeno.

Nos anos seguintes, teve inúmeras profissões, como bancário e escriturário e todo o tempo e dinheiro livres eram gasto com livros, revistas e nos prostíbulos mais decadentes da região conhecida como Boca do Lixo, onde se concentravam também os estúdios de produtoras de filmes eróticos.

Em 1981, com ajuda de um casal de amigos, lançou seu primeiro livro, mimeografado, com o título de "Arquiloco", em homenagem ao poeta e soldado grego Arquíloco de Paros. O pequeno volume, assinado como "Carlos Cichetto", mereceu a atenção do critico literário do jornal Diário Popular Henrique Novak, um dos mais conceituados na época.

No ano seguinte conheceu sua primeira esposa como que se casou e teve dois filhos. Nesse período, para dedicar-se integralmente à criação dos filhos, deixou de lado a escrita, que só foi retomada por volta de 1996. A partir daí, como que procurando resgatar o "tempo perdido", sua produção passou a cada dia ser mais intensa e num ritmo cada vez mais frenético. E como qualquer expressão da natureza, tudo que é represado, um dia estoura e causa enchentes e tudo que existe em seu caminho é derrubado, carregado.

Durante o tempo em que esteve casado, trabalhou em inúmeras atividades profissionais, indo de desenhista mecânico a projetista de brinquedos e embalagens, até virar dono de uma escola de informática, nos últimos anos do século passado. Em 1999, mudou-se a trabalho para Belém, PA, onde permaneceu durante um ano. Essa passagem segundo ele teve efeitos determinantes de enorme peso, pois foi ali que tomou contato com uma cultura muito forte, cheia de contrastes, daquela cidade ao norte do país. Ali nasceu o apelido "Barata". E ali renascia o provocativo, irrequieto e determinado artista Barata Cichetto.

Em 2000 retornou a São Paulo, onde o já muito conhecido web site A Barata, foi motivo de reportagem e entrevista para o programa Vitrine da TV Cultura. A partir daí Barata começou a produzir eventos que envolviam as suas duas maiores paixões: Rock e Poesia. Foram dezenas, em casas muito conhecidas do publico roqueiro de São Paulo, como Led Slay, Fofinho e outras. A produção intelectual cresceu absurdamente, incluindo com a criação de revistas impressas e Xerox.

Em 2001 começou a trabalhar como "Manager" da histórica banda Patrulha do Espaço, onde foi responsável entre outras coisas pela produção artística de um CD da banda, o EP".ComPacto".  Ali, Barata conheceu todos os meandros e muitas histórias dos bastidores de uma banda de Rock, que culminou com seu livro mais vendido até agora: "Patrulha do Espaço no Planeta Rock", lançado em 2012.

Em 2004, depois de 22 anos, chega ao fim de seu primeiro casamento e nos anos seguintes, até 2010, passa por outros dois relacionamentos conturbados, mas que lhe rendeu material para centenas de seus poemas, que passaram por todos os sentimentos inerentes às relações de casais: da doçura à loucura; do prazer à dor. No final de 2009, conheceu sua atual companheira, Izabel, com quem se casou oficialmente em 2016, incorporando mais um sobrenome.

Em 2010, Barata escreveu o libreto e criou toda a concepção de uma Opera Rock: "Vitória, ou a Filha de Adão e Eva". Esse fato foi crucial em toda produção futura do artista, pois em função dela conheceu um dos maiores músicos do Brasil, de formação erudita e um dos maiores estandarte do Rock Progressivo no Brasil, Amyr Cantusio Jr., com quem faria outros dois trabalhos: o disco conceitual "Seren Goch: 2332" em 2013, e "Madame X - À Sombra de Uma Morta Viva", em 2015. 

A edição do libreto dessa Opera Rock, ensejou ao irrequieto artista, que buscava uma forma de publicar seus escritos, sem nenhuma porta de editora aberta, a criação de um de seus maiores desafios: a "Editor'A Barata Artesanal", criada no referido ano. A partir daí, a "editora", que embora use tal nome, se trata de fato de um trabalho de edição artesanal de livros, trabalhando com qualquer tiragem, passou a aceitar encomendas de outros escritores, tendo lançado até agora, em 2017, mais de oitenta títulos, incluindo 25 do próprio autor--editor, que se considera, de fato, um "artesão de livros".  Dentre esses títulos, o destaque fica para livros sobre filosofia e ocultismo do parceiro Amyr e livros sobre o mundo da Beatlemania, escritos em italiano pelo musico milanês Alex Schiavi, de Milão. Todo o trabalho, da editoração a montagem final do livro - costura e colagem manuais, é feito inteiramente pelas mãos hábeis do editor-poeta, ou poeta-editor, concedendo a cada exemplar do livro, um quê de personalização impossível de ser conseguido em qualquer esquema tradicional de editoras.

A produção literária de Barata Cichetto inclui 13 livros de poesia e 12 de contos, crônicas, ensaios e até uma auto-ficção chamada "Barata: 40 Anos de Sexo, Poesia e Rock'n'Roll". Todos esses livros, com exceção de um "Cohena Vive", que foi lançado pela Editora Multifoco, do Rio de Janeiro, foram lançados pela sua Editora. Seu penúltimo livro de poesia, "Troco Poesia Por Dinamite", tem o prefácio do cofundador d banda Titãs, Ciro Pessoa.

Em 2008, outra habilidade do polivalente artista desponta, com um convite para produzir e apresentar programas em uma webradio. O rádio sempre fez parte de seu cotidiano, e era um antigo sonho, propiciado com a era da Internet, que simplificara e abria oportunidades a pessoas de fora dos meios tradicionais do esquema das grandes rádios. Desde então, Barata passou por várias webradios, sendo que entre 2011 e 2012, criou um projeto próprio com o intuito de fazer algo diferente do esquema, que seguia os antigos padrões das rádios "tradicionais". Nascia assim a "KFK Webrádio, com o "slogan" "a rádio que toca idéias". Por falta de apoio financeiro, a webradio foi extinta, mas retorna agora no inicio de 2017, com seu projeto inicial preservado, mas contando com novas tecnologias e ideias reformatadas e outras criadas.

No final do ano de 2016, incentivado pela artista plástica gaúcha Nua Estrela, Barata começa a produzir pinturas, algo que sempre achou impossível de realizar. Em três meses, Barata pinta mais de 80 quadros, tendo como temas principais, mais uma vez o seu trinômio vital: Sexo, Poesia e Rock'n'Roll. Suas pinturas chamam a atenção não apenas pelos materiais usados, como tinta látex de parede sobre papelão, mas pelos temas polêmicos.

Aos cinquenta e oito anos de idade, Barata Cichetto mantém um olhar crítico apurado sobre a sociedade moderna, buscando transmitir em suas diversas formas de arte, toda sua perplexidade diante de um mundo que chega cada dia mais perto do abismo fatal, segundo ele. É um livre pensador, que tendo passado por inúmeras correntes políticas, atualmente se define como um "conservador liberal".  Acredita que a chamada "arte social" é uma falácia, pois é a arte, segundo ele, "algo feito do individuo para o individuo", e que "essa coisa de arte coletiva é uma absoluta mentira, uma farsa pregada pela onda politicamente correta que é alimentada pelo pensamento esquerdóide para enfraquecer o verdadeiro poder da arte, que é o único de fato revolucionário."

Sobre o poeta Barata Cichetto, Amyr Cantúsio Jr. - Músico, Teósofo, Compositor, Filósofo, de Campinas, SP diz: "Posso enfatizar que Cichetto é o Dante, Milton, Boca do Inferno e Blake resumido da literatura nacional!". Já o Professor-Doutor em Arte de Goiás e artista multimídia Edgar Franco afirma: "Barata Cichetto é um poeta visceral, com uma peculiar e louvável visão da vida e dos caminhos e descaminhos de nossa espécie, belamente radical diante do bundamolismo vigente e da ditadura do politicamente correto que inunda as mídias e a cultura...".  Smail Della, artista plástico: "Homens a frente do tempo, sempre vão existir. Raros, mas sempre existirão e eu tive sorte de nessa vida poder conhecer essa praticante da Arte... Incansável, persistente, guerreiro na estrada.". Mas é o trecho inicial do prefácio escrito pelo ex-titã Ciro Pessoa, o que demonstra quem é realmente o poeta Barata: "A sensação que tive ao terminar de ler 'Troco Poesia por Dinamite' foi a mesma que alguém deve ter após sobreviver a um intenso bombardeio. Ou a atravessar um extenso campo minado e conseguir chegar do outro lado razoavelmente intacto. Porque a poesia bélica de Barata Cichetto é semelhante a um míssil cortando a noite anestesiada e explodindo no centro do comodismo mental e comportamental que tão bem caracteriza este irritante e retrógado começo de século XXI."

Por fim, Barata é um assíduo usuário de mídias sociais, procurando retirar delas algum resquício de debate inteligente, e um veiculo eficaz para a transmissão de suas idéias e projetos artísticos. E dentre seus projetos para o ano de 2017, estão o lançamento de dois romances, um livro de aforismos e mais, quem sabe, algumas dezenas de pinturas. "O dia em que parar de criar, estarei morto, mesmo que vivo." Arremata.

17/02/2017

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