Barata Cichetto: Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor
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terça-feira, março 14, 2017

Fui Por Ter Sido, E Fui Por Ter Ido!.



Eu, conscientemente, me recuso a existir em um mundo onde a vaidade está acima da poesia; onde a política está acima da amizade; e onde o dinheiro acima de tudo. Me recuso a viver, triste, solitário e cabisbaixo, pela incompreensão de meus pares; e principalmente me recuso a viver em um mundo onde as rédeas do poder, onde a corrupção moral estabelecida corrompeu as mentes mais brilhantes. Onde artistas se prestam ao papel de títeres de um sistema composto de ladrões da dignidade. Eu, que de tudo fiz, e de muito ainda faria, me recuso a continuar a existir, num mundo onde o "fazer" pouco importa; onde o "ser" nada é; e onde o pensar diferente da marginália comprada por esmolas bate palmas. Eu, que de muito fui transformado em nada, por obra e graça do desrespeito e da covardia. Eu, no limite da minha consciência, me declaro incapaz de ser... Humano. Recuso-me a existir a perceber a malícia, ao receber o desprezo. A tragédia final se aproxima, e o sangue derramado não será dos falsos líderes que os inflama contra aqueles que ousam, como eu, se oporem aos seus desmandos. Não estou de lado algum nesta guerra, não a declarei e não engraxei minhas botas para ir ao front. Fiquem, pois, com suas bandeiras rubras, suas foices, seus martelos e suas cruzes. Quando, um dia, enfim, dos olhos caírem às vendas negras que os colocam na mais pura cegueira perceberá o quanto estavam errados. E, quanto a mim, recuso-me, sim, a fazer qualquer outra coisa a não ser. o Nada. Tudo cansa, tudo farta, tudo um dia enoja. E para que eu não sinta nojo de mais ninguém, decido pela morte insepulta. Não aceito nem peço perdão, porque os sonhadores tolos feito não o fazem. Não peço nada, não quero nada e não sou, de fato e decerto, nada. Recuso-me a continuar, recuso-me a caminhar sequer. Fiquem com suas esmolas do estado, seu protagonismo de mentira alimentado por mídias forjadas que lhes ditam o pensamento. Não, seu pensamento não é seu, sua decisão política não é sua. Mentiram-lhe sobre isso, mentiram-lhe sobre tudo. Sobretudo sobre a liberdade. Ela não existe. A liberdade só existe ao indivíduo, não é um bem coletivo, não pode ser dado por nenhum movimento, governo ou general. Ela só existe dentro de cada um. E, por fim, eu, indivíduo, ser único, absoluto de minhas falácias, consciente de minhas descrenças, simplesmente desisto. E, como sempre termino meus programas de rádio que ninguém escuta: FUI. Fui por ter sido, e fui por ter ido!.
Barata Cichetto, 14 de Março de 2017.

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