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10/10/2018

A Fábrica de Moedores de Carnes Com Logotipo da Estrela Vermelha

A Fábrica de Moedores de Carnes Com Logotipo da Estrela Vermelha
Barata Cichetto

Há quem diga que as "esquerdas" em nada contribuem com a indústria, mas é preciso ser justo e dar-lhes crédito, não por uma invenção no conceito exato da palavra, mas no aperfeiçoamento de um artefato: o Moedor de Carne.

Particularmente no Brasil, mas de resto no mundo inteiro, desde os anos 1950, mas mais utilizado a partir de meados dos 80, o Moedor de Carne, produzido por uma empresa extremamente lucrativa, cujo logotipo comercial é uma estrela, tem se tornado item obrigatório na entrada de empresas jornalísticas, e especialmente nas portarias de escolas, particularmente nas faculdades, na área de humanas.

Como qualquer empresa que precisa expandir seu mercado, a fabricante dos moedores de carne as colocam gratuitamente nesses lugares, sabendo que no final das contas lucrará, senão com a venda da máquina, com o produto dela. Aliás, é esse lucro pelo qual a empresa realmente se interessa.

O funcionamento, entretanto, é um tanto diferente: o moedor de carne da empresa da estrela vermelha não aceita qualquer carne, apenas cérebro virgem, que depois de moído é entregue à sede da empresa,  que por sua vez, em função de contratos milionários com empresas do exterior, transforma cérebro virgem moído na mais pura e tenra mortadela.

Esse produto, que por suas características populares, é distribuído gratuitamente a outros portadores de cérebros virgens, que após a ingestão passam a ter alucinações e, logo depois procuram por algum lugar onde haja um desses moedores, que estão atualmente distribuídos em todas as praças e ruas do país, e entregam seus cérebros para serem moídos alegremente.

Há duas versões desses moedores de cérebro virgem: elétrica, movido pela geradores instalados disfarçadamente em favelas, e outra manual, movida por um exército de jornalistas, professores e até pequenos empresários, que nisso veem oportunidade de alavancar seus negócios.

Tempos atrás, algumas pessoas tentaram destruir a fábrica da empresa que tem como logotipo comercial a estrela vermelha, prendendo um dos gerentes. Acontece que a distribuição gratuita dos moedores em pontos estratégicos, como gabinetes de alto escalão, salas de juristas e de tribunais, era tão estrategicamente calculada, sendo que foi negociada e então trocada a prisão desse gerente pela libertação do grande SEO da empresa. 

Além do mais, contando com seus dois principais exércitos, o dos que doaram alegremente seus cérebros para serem moídos, e o dos que se alimentam da mortadela deles produzidos, e com as máquinas trabalhando a todo vapor por obra dos manipuladores da manivela, auxiliados pelo departamento de marketing, muito eficaz, da empresa, a fábrica de moedores de carne, que pelas leis deveria ter tido sua falência decretada, continuou a produzir mais e mais.

Entretanto, há noticias de pessoas que tentam, até com risco de morte, parar essa indústria e devolver os cérebros à seus legítimos donos. E esses são chamados de fascistas.

Outras ainda tentam mostrar que ter o cérebro moído não é bom, que cérebros frescos e funcionando dentro da cabeça é o correto. E esses são também chamados de fascistas.

E de armas em punho, foices, martelos e facas, os exércitos caminham pelas ruas, feito zumbis do apocalipse, pedindo liberdade ao gerente da fábrica, e acreditando que, assim, estarão falando em nome da liberdade e da igualdade.

Realmente, numa industria de cérebros moídos tudo se parece igual, mas mesmo ali ainda existem diferenças, pois quem aperta o botão da máquina, quem gira a manivela, nunca será igual. Afinal, todas as mortadelas são iguais, mas algumas são mais iguais que as outras.

09/10/2018

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