AVISO SOBRE DIREITOS AUTORAIS

Plágio é Crime: Todos os Textos Publicados, Exceto Quando Indicados, São de Autoria de Luiz Carlos Cichetto, e Têm Direitos Autorais Registrados no E.D.A. (Escritório de Direitos Autorais) - Reprodução Proibida!
https://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40#art-184


A MULHER LÍQUIDA - ROMANCE

A MULHER LÍQUIDA - ROMANCE
“A Mulher Líquida” é a biografia romanceada de muitas mulheres. Um romance que jamais seria lido por sua protagonista.

20/08/2019

Sursis

Sursis
Barata Cichetto


Sou poeta das lutas extremas,
Por rainhas loucas vomitadas.
O profeta de putas supremas,
E das rimas toscas limitadas.

Sou das extremas putas loucas vomitadas rainhas das lutas supremas limitadas. Sou de aço e do espaço. Ácido e flácido. Construtor de crateras e velejador de eras. Profeta do início do mundo e poeta do fim do início. Observador de precipício e filosofo de hospício. Não sou um meio nem o meio e nem tenho um quarto. Estou farto de ter infarto. Parto. De Cesar e de Ana. Cesar & Ana. Syd & Nancy. Bonnie & Clyde. Minha poesia é bandida. Tem que ser presa. De surpresa. Por um delegado folgado com um band-aid transparente na cara de gado. Quero um advogado civil. Servil. Vil. De terno e bravata. De eterno e cascata. Na vara da família. Apelo ao estatuto do indecente idoso e aos estatutos dos putos. Não põe algemas que sou primário no poder judiciário. Sou incendiário e meu crime é apartidário. Secundário. Confesso sob pena de perjúrio e diante dos jurados que meus pecados são apenas recados. E os solados dos soldados pisam minha mão. Eu não sinto dor e grito que quero ser escoltado. Quero ser presidente e não tenho dente para morder. Onde está a vítima e onde mora a testemunha? - Sou inocente senhor juiz, o culpado é o Luiz. - O que diz? - A culpa é da poesia, foi ela que me seduziu, foi quem deduziu. - Mas e o fuzil? - Não era meu, era do Brasil. Foi ele, quem primeiro me cuspiu. Eu não pedi clemência e nem aleguei demência e por pura imprudência fui condenado. Fudido. E pelo carcereiro fui conduzido à cela do corredor onde tinha um estuprador. Um ditador e um contador. Todos tinham a mesma história que lhes condiz. Todos com lugares marcados com giz. E todos queriam sursis. E então o que eu fiz foi tentar ser feliz. Espero que o ditador seja quem diz. Que o contador conte o que fiz. E que o estuprador seja aprendiz. Sou poeta. Só sei ser infeliz.

20/08/2019

19/08/2019

Putas de Araraquara no Xvideos

Putas de Araraquara no Xvideos
Barata Cichetto



Era uma madrugada fria na normalmente quente Araraquara. Eu não conseguia dormir e liguei o computador.  Depois de andar por sites de vídeos pornográficos e outros de garotas de programas decidi escrever. Mas, sem nada na cabeça, a não ser putaria, sobre o que poderia escrever? Claro, putaria! 
Ando com o saco cheio de escrever putaria. Putaria, só putaria, sacanagem, pau no cu, pau na buceta. Um monte de bandalheira pornográfica que só serve pra encher linguiça e quem sabe fazer algum punheteiro soltar a imaginação, ou até mesmo e quem dera, alguma mulher soltar o dedo. Ademais para mais nada.
Fiquei olhando para a tela do computador e mexendo os dedos pensando sobre o que iria escrever. Eu tinha visto um monte de cenas muito tesudas nos vídeos e fiquei excitado, de pau duro, mesmo. Então pensei que o lógico seria escrever sobre o quanto eu ficava com tesão vendo gente se comendo, se fodendo, se chupando em vídeos pornôs. O Xvideos é pura poesia, neguim! 
Pensei e descrever alguns vídeos, depois criar alguma história engraçada sobre eles, mas aquilo é poesia, como eu já disse, e poesia não tem a menor graça. Coisas que deixam a gente de pau duro não tem a mínima graça. E poesia, nem a erótica, deixa ninguém de pau duro. A não ser algum poeta pau no cu, frustrado. Ficar de pau duro com poesia é de cair o cu de dentro das calças. Poesia é coisa de cara que não trepa. Quem trepa não tem tempo de pensar em poesia. Aliás, nem lembro mais quando trepei... Acho que foi a semana passada. Ou o mês passado? Que diferença faz quando foi? E nem lembro se foi bom. Acho que não, se tivesse sido eu iria lembrar. 
Porra, ninguém mais trepa nessa porra de planeta sem filmar? Caras de pau mole enfiando em bucetas secas, e mulheres olhando pra câmera. E o tesão donde que fica? Na pica é que não é. Nem na buceta! Fica na greta. Na grelha. Na telha.
Antes era melhor: a gente pegava o telefone e ligava pra uma puta e fazia a festa. Agora só bate punheta olhando gente sem graça, fazendo sexo sem graça. Parece até poesia isso. 
E assim se foi a madrugada. Não comi ninguém, nem bati punheta, mas em compensação estou terminando este texto e preciso dormir. Acabei nem escrevendo porra nenhuma. Nada do que está escrito tem graça, nada foi dito e nada foi lido. É tudo virtual nesse mundo de mentiras. Amanhã vou escrever uma poesia erótica, tá?

19/08/2019

17/08/2019

Eu Só Queria Fumar Um Cigarro

Eu Só Queria Fumar Um Cigarro
Barata Cichetto

O portão da rua, de ferro fundido e com um cadeado de aço parece tão distante visto da janela do meu quarto. Escuto cachorros ladrando insuportáveis na rua. Tento fumar. Pego e cigarro e coloco automaticamente na boca. O isqueiro não funciona. Agora não tem mais jeito. Tenho que atravessar o corredor de cimento cheio de musgo que separa minha porta e chegar até a saída de casa. Insuportáveis vinte metros. Insuportável caminho até a rua. Moro nos fundos. Nos fundos do mundo. Ainda penso. E saio sem fechar a porta. Os cachorros ainda ladram e me olham com medo e ódio. É quase a mesma coisa. Olho para o topo da rua e tento calcular quantos minutos sobre aquele asfalto quente eu terei que caminhar até chegar o supermercado onde uma atendente horrorosa vai passar o código de barras na leitora e pegar o dinheiro sem nem olhar na minha cara. O pior é tudo isso sem poder acender meu cigarro. Sem fumaça para respirar. A não ser a dos carros dirigidos por motoristas esnobes que passam cheios de empáfia dentro daquelas latas com rodas. E feito a gorda horrorosa do mercado sem olhar para mim. Sou um perdedor. Nem motoristas de carros ou caixas de supermercados olham na minha cara. Fosse eu um sujeito endinheirado e me ofereceriam carona nos carros e aquela escrota sebenta do mercado iria esfregar aquela buceta fedorenta na minha cara. Eu não preciso de um carro brilhoso que tenho dois pés. E nem da buceta sebosa daquela nojenta caixa de supermercado que tenho uma mão. Posso ser um perdedor. Um perdedor que ainda tem pés e mãos. Então posso ser um perdedor e andar e me masturbar. Eu só quero fumar. Não quero perder nem ganhar. Fodam-se a gordeta escrota com cara grudenta do supermercado que conta as moedas como se fossem pedaços de merda. E fodam-se os carros e seus motoristas automáticos que contam merda como se fossem moedas. Cheguei ao supermercado que de super tem nada e fui direto ao balcão. Pedi um isqueiro. Vermelho ou preto que tenho preconceito contra isqueiro branco. Todo mundo rouba isqueiro branco. Não tinha. Só branco mesmo. Só tinha branco naquele mercado. Me dei conta que não tenho ninguém que possa roubar meu isqueiro. Nem sendo branco. Aceitei. Eu só queria mesmo era acender a porra do meu cigarro. Tirei o sacana da embalagem de plástico e puxei um cigarro do maço e porra da vendedora que acho que era magrela e quase careca quase arrancou o cigarro da minha mão. Eu só queria acender a porra do meu cigarro. Tinha que esperar a rua. Que era distante e tinha um cimentado gasto e era cheio de musgo com um monte de carros cor de bosta dirigidos por gordas suarentas e magrelas carecas. Na saída do mercado tinha um portão. Estava trancado. Por fora. Então eu perdi. Sentei no chão de cimentado gasto e cheio de musgo verde e acendi meu cigarro. Ganhei!

17/08/2019

16/08/2019

Alguém Quer Dar Pra Mim?

Alguém Quer Dar Pra Mim?
Barata Cichetto

Eu poderia esperar que alguém desse alguma coisa para mim; fosse a buceta, o cu, ou ao menos um muito obrigado, mas que não fosse obrigado. Eu gostaria de poder esperar que alguém desse algo para mim, que fosse um tapa na cara ou algum dinheiro, e que fosse ao menos companheiro.  Eu aceitaria esperar que alguém me desse, que não fosse esmola, que não fosse favor. E que não fosse de graça, que fosse até desgraça. Eu saberia esperar que alguém desse alguma coisa para mim, que fosse uma opinião, um pequeno gesto de afeto, ou ao menos respeito, até a despeito do que meu pensamento, mesmo que eu fosse suspeito de matar um sujeito. Poderia queria esperar que alguém lesse meu poema, me explicasse um teorema, e não seria problema esperar. Eu poderia querer esperar de alguém, mas de quem posso esperar? Esperar é esperança, e esperança é morte. E eu não sou mais criança para esperar. Esperar e contar nos dedos, esperar é apontar segredos, esperar é correr dos medos, e nos meus dedos tem tão poucos segredos e tantos medos, que não consigo contar. Quem espera sempre alcança, é o dito popular, então eu poderia alcançar quem corre a frente, apenas a me esperar. A esperança não cansa, disse o poeta, e que também não murcha, mas eu ainda não sei quanto ainda posso esperar sem cansar. E nem espero esperança nem espero perdão, espero o que espero, e espero em pé, com a corda no pescoço, e até apenas até a hora do almoço que posso esperar. Eu poderia ainda falar sobre outras formas de esperar, mas estou cansado de falar. E o que eu quero mesmo é acabar. Acabar com tudo e deixar o mundo a quem queira cuidar. Queria mesmo poder esperar algo de alguém, que fosse o que fosse, mas que fosse algo que eu mereço.  E se eu não merecer, que seja apenas por existir. Eu poderia querer esperar de alguém esperar por alguém, mas ninguém espera por mim. E por fim, queria saber esperar, sem desesperar, mas estão todos tão ocupados... E eu não tenho mais tempo de esperar.

16/08/2019

15/08/2019

Morto Sim, Poeta Castrado Nunca

Morto Sim, Poeta Castrado Nunca
Barata Cichetto
A Ary de Souza, Poeta Português

" Os que entendem como eu / as linhas com que me escrevo / reconhecem o que é meu / em tudo quanto lhes devo:"
Imagem: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bf/Der_M%C3%B6rder_des_j%C3%BCdischen_Blutzeugen.jpg/718px-Der_M%C3%B6rder_des_j%C3%BCdischen_Blutzeugen.jpg

Falaram de mim, que eu tinha que ser morto,
Até reclamaram porque eu não era um aborto,
E também disseram que deveria ser enforcado,
Com uma corda forte e um nó cego e apertado.

Disseram que eu era um escroto sem cultura,
E que, portanto, não seria poeta à sua altura.
Pediram que eu fosse ainda vivo queimado,
E então dariam as cinzas a seu deus amado.

Instigaram minha morte antes do fim do dia,
E mesmo que lhes dissesse ser pura covardia,
Ainda assim eu concordei em morrer, desanimado,
E trajei minha melhor roupa com a morte animado.

Prepararam o cadafalso e o padre pediu por clemência,
Mas lhe disse que nunca darei perdão a sua indecência.
E quando desceu sobre o meu pau a lâmina do machado,
Matei-o, pois morro mas jamais serei um poeta castrado.

15/08/2019