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quarta-feira, novembro 15, 2017

"Não Existe Almoço de Graça!"

"Não Existe Almoço de Graça!"
Barata Cichetto


Quando custa um tanque de guerra? Preciso saber, que pretendo explodir a Capital Federal, o Presidente e todos os políticos... - É caro um tanque de guerra. Melhor mesmo é ir dormir... - E quanto custa uma metralhadora? Preciso saber, que pretendo estourar a sede do Governo Estadual e a Assembleia Legislativa... - Custa caro uma metralhadora. Então é melhor deixar quieto... - Qual é o preço de uma espingarda, que pretendo estourar os miolos do Prefeito e de todos na Câmara Municipal... - É cara uma espingarda. Então é melhor eu ir para a cama e ligar a TV... - Uma granada, qual é o custo? Que pretendo explodir a casa do vizinho que faz churrasco e toca pagode o dia inteiro... - É cara uma granada. Então é melhor eu ir para a rua de cima beber até esquecer... - Ah, mas quanto dinheiro custa um revolver? Preciso comprar e estourar meus miolos... - É caro demais um revolver. Então é melhor... Comprar um pacote de veneno de ratos... - Até ...

15/11/2017

segunda-feira, novembro 13, 2017

Gyroscopio 69 - Programa 50



Atom - The Great Gig in the Sky - Cine Theatro Brasil
Marilyn Monroe - Happy Birthday Mr. President

1
Beth Hart -  Immortal (Live at Paradiso)
PJ Harvey - Dress - HD Live (V Festival 2003)

Barata - Modernoso Mundo Hodierno

2
As Exorcistas - Ho He Ho, Senhora Vanderbilt (1974)
Meire Pavão Chame o Táxi (Taxman - Beatles)
Wanderléa - Sem Endereço (Memphis - Chuck Berry)

3
Del Wendell - Black Star / Elvis / Bowie
Elvis Presley - Black Star
David Bowie - Black Star

4
Elvis Presley - Its Still Here
Iron Maiden Fear Of The Dark Live Rock In Rio 2001

Tabacaria - Fernando Pessoa por Antônio Abujamra no Provocações (Alpha III - Solaris)

5
Projeto Sangue de Barata - Aniversário
Crom - The Vickings Are Coming
Psychotic Eyes - Olhos Vermelhos

6
David Bowie - First TV Appearance 1970 - Space Oddity
Gary Moore - 1987 - Over The Hills And Far Away
Pink Floyd - Set The Controls - Live on TV 1968

7
Leadbelly - House Of The Rising Sun
Demis Roussos - House Of The Rising Sun

Barata - Senso Incomum

9
Rush - The Necromancer
Rufus Zuphall - Spanferkel
Scorpions - Virgin Killer

10
Marc Bolan with  Elton John and Ringo Starr - Children Of The Revolution
Roger Waters feat. Eddie Vedder (Pearl Jam) - Comfortably Numb
Eric Clapton with Roger Waters - Wish You Were Here Live In 2004

10
Os Austrais - Elétrica Cidade
Os Austrais - Febre do Céu Azul (Inspirada em Bukowski)

Roberto Piva - A Piedade

11
Spencer Davis Group - Im a Man
Strawberry Alarm Clock - Incense And Peppermints
The Turtles - Happy Together - 1967

12
OM4E - Olhos Fechados
OM4E - Reflexo da Lucidez

13
Enigma - Sadeness
Green Carnation - My Dark Reflections Of Life And Death

Barata: A Estranha Loja das Palavras

14
Virgin Black - Embrace
Virgin Black - I Sleep With The Emperor

15
Conexão Norte
A listinha para o próximo G-69 vem de três bandas recém descobertas. Isso ocorre quando tenho um tempo para fazer alguma garimpagem na internet. Tem muita bomba, e tem algumas coisas muito interessantes. Estou conhecendo o trabalho dessas três bandas para, futuramente, talvez incluir seus álbuns na minha coleção.
1. Moon Bathing / Lunar Dunes / do álbum Galaxsea;
2. The Juice / Causa Sui / do álbum Euporie Tide; e
3. Army of Ignorance / Samsara Blues Experiment/ do álbum Long Distance Trip.

Já o aforismo é este (inspirado no Dia de Finados e pelas tristes constatações :D):
"A grande vantagem naqueles artistas finados que você tanto admira, é que as chances de eles o decepcionarem também estão mortas".
Acho que está bom. Está?



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sábado, novembro 11, 2017

Anatomia Anátema

Anatomia Anátema
(Diante da ilustração "Anatomia Del Corpo Humano" de Juan Valverde de Amusco, 1560)

Barata Cichetto
 

Não, não sinta na própria pele aquilo que lhes digo. Apenas tolos e poetas sentem apenas na pele. O que se fala. A pele cala a verdade. Arranque a própria pele. Escarifique-se. Escarnifique-se. A real nudez é do esqueleto. Sinta o que digo. De fato. No ato. Dou-lhe apenas a faca. A coragem é sua. Os motivos lhe pertence. É a sua mão que tem que segurar a faca. Cortar. Arrancar. Retire essa pele que lhe serve de máscara. De proteção. De conforto. Arranque essa pele que lhe cobre com a vergonha da vaidade. Retire totalmente essa maquiagem que lhe cobre o rosto.  Deixe nus seu esqueletos. Pele é roupa velha. Enrugada. Amarelada. Rasgada. Não sinta na pele. Não sinta a pele. Despele-se. Dispa-se. Retire-a centímetro a centímetro. Sem piedade. Sem medo. Fique livre dessa roupa inútil. Que tem cor. Que tem forma. Que tem vergonha do esqueleto que cobre. Que esconde o que lhe sustenta. Não sinta na própria pele a dor. Sua pele é sua mentira. Em breve estará podre. Desaparecerá comida por vermes. A pele é sua maldição. Sua ilusão. Sua fraude como ser. Sua casca frágil. Seu disfarce de humano. Camadas de podridão fedorenta. Anjos não tem pele. Demônios não tem pele. O Bem e o Mal não tem pele. Dispa-se de toda pele que lhe cobre de desejo. Da pele que lhes cobra o ensejo. Da pele que lhe cobra o preço. Mostre sua real anatomia. Sua real autonomia. Seu verdadeiro poder. Seu verdadeiro amor. Sem pele. Não sinta na pele o que lhe conto. Sinta nos ossos. Nos músculos. No sangue. Livre-se da falsa realidade. Da farsa da liberdade. Que há na pele. Da imoralidade. Sobre a pele. Liberte-se da mentira. Da falsidade da linguagem cutânea. Da imagem instantânea. É tudo uma questão de pele. Não de cor. Não de altura. Sem pele sem cor. Sem cor sem dor. Não apele. À sensibilidade da pele. À estética. Ou à ética. A estética esquelética. Arquétipa. Sua pele é sua ditadura. Pessoal. E intransferível. Ditadura e tortura. Blasfêmia injusta contra deuses sem pele. Deuses não tem pele. Anátema. Não há arte na pele. Apenas cor e aparência. A arte está no esqueleto. No tutano. Não há beleza real na pele. A beleza está nos ossos. Nas tripas. Nas veias. Rejeite sua pele. Rejeite a qualquer ideologia que está à flor da pele. Pele é ideologia. Teologia. Viva a escatologia. Sem pele. Se jogue na ideologia única do esqueleto. Na religião monoteísta dos músculos. Pele é casca. Ferida extensa. Intensa. Densa. Imensa. Liber. Embaixo da casca tem a polpa. Livro de liber. Então liber-te-se. Escreva livros. E faça a capa com sua própria pele. Encadernação com couro. Gravada a ouro. Um livro de poesia. Livre-se. Da poesia da pele. Segure a lâmina com firmeza. Livre-se da tristeza. Que há na pele. Não há felicidade sobre a pele. Apenas maldade. E saudades. Que causa dor. E mágoa. Debaixo da pele há uma cidade. Um porto. Um navio. Um mundo. Um universo. "Universo no teu corpo". Universo debaixo da tua pele. Apele. Livre-se desse órgão inútil. Fútil. Derme e epiderme. Casa de verme. Arranque. Sem dó. Nem piedade. Com a crueldade de uma criança. Encare a nudez. Esqueleto nu de frente ao espelho. Veja seu sangue vermelho. Há deuses sob a pele. Erga a faca. Feito espada. E corte fora o istmo do prazer falso. Do desconforto do ser. A inutilidade do prazer. Escalpele-se. Não peça desculpas à pele. Culpas são coisas de pele. Que repele. Que expele. A dor do íntimo. Ínfimo. Deixe que a pele apodreça sozinha. Na sua miserabilidade infalível. Órgão sensorial insensível. Às dores reais.  Livre-se desse objeto pornográfico. Objeto abjeto. Pele é cútis e o cu é pele. Livre-se de seu órgão mais pesado. Peso morto. Deixe expostos seus interiores. Exponha seu coração. Fígados. Pulmões. Rins. Cérebro sem pele nem pelos. As veias abertas. Veja como lhes corre a sangue pelo corpo. Intestinos trafegando merda. Comida transformada em merda. Transforme-se!!! À faca que te empresto. Deixe expostas. Suas feridas. Queridas. Devidas. Viva! Em carne viva!

01/11/2017

sexta-feira, novembro 10, 2017

A Pequena Suja e os Chocolates

A Pequena Suja e os Chocolates
Barata Cichetto


Não existem mais buscas. Nenhuma mudança brusca. De direção. Apenas coração. Remendado com fita isolante. Amarrado. Com barbante. Alma limpa. Com desinfetante. Por um instante. Acreditei bastante. Na intenção. Ao Inferno foi minha adoração. E agora. Que não há mais condição. A aflição. Da solidão. O medo de ter medo. E de chorar. Só. O nó. No estômago. Estou magro. De tanto odiar. A mim. Por mim. Por fim. Não há mais desejos. Nem beijos. Nem ensejos. Nem rimas calorosas. Amorosas. Apenas seguir em frente. Que o caminho é diferente.  E por direito. A próxima à direita. È minha mão de direção. Dirijo. Na contramão. Com a mão. Esquerda. Acenando ao ladrão. Por que não? Se no meio de tudo. Não há senão. Senão o não. E o anão. De orelhas grandes. Matou a fome. Nas carnes doces. Tratou a coices. Com foices. E foi-se. Sem olhar. E de soslaio. Agora me encara. Dentro do lotação. Enquanto a Dama do Lotação. Lê um livro de Nelson Rodrigues. E nem percebe que são sete os gatinhos. E a porca gorda. Morta comendo chocolates. "Coma chocolates pequena suja". Assim disse Pessoa. Em outra pessoa. Mas tudo parece apenas um filme de cinema. O estupro de uma carne branca ao sol. Com que se farta. O monstro. Mas agora não há mais nada. E nem a fada. Safada. Danada. Desgraçada. Pode me socorrer. Antes de eu morrer.

08/11/2017

quarta-feira, novembro 08, 2017

Foder e Poder

Foder e Poder
Barata Cichetto


Acabamos. Ela acendeu um cigarro. Eu também. A cama encharcada de um líquido estranho. Ela jorrara num squirt vigoroso. Fumávamos. Eu segurava o cigarro com a mão direita. À esquerda ainda na buceta dela. Ela segurava o cigarro com a esquerda. À direita no meu pau. Sentados na cama. Comecei a mexer no seu clitóris. Ela gostou. Ainda segurando o cigarro com a mão esquerda, deitou no meu colo e abocanhou meu pau ainda lambuzado de esperma. Chupou. Lambeu meu saco. Soprava a fumaça do cigarro no meu pau. Tornava a lamber. Chupar. Eu acariciava a cabeça dela com a mão esquerda e soprava a fumaça do meu cigarro nos cabelos perfumados dela. Ela chupava com vontade. Senti vontade de gozar. Gozei. Dentro da boca dela. Segurei sua cabeça de encontro ao meu corpo para que não perdesse nenhuma gota. Soltei. Ela ergueu a cabeça, limpou os lábios e deu outra tragada bem profunda no seu cigarro. Eu também. Nossos cigarros acabaram. Dormimos sobre o lençol encharcado. Acordamos. Ela tinha um hálito de noite horroroso. Quis me beijar. Recuei. Mandei escovar os dentes. Ela emburrou. Fez cara feia e acendeu um cigarro. Fumou quieta e voltou a dormir. Eu levantei e fui ao banheiro. Escovei os dentes e acendi um cigarro. Fumei. Voltei pra cama. Enconchei sua bunda. Tentei comer seu cu de conchinha. Ela não acordou. Desisti. Bati uma punheta e limpei na bunda dela. Ela acordou melada. Acendeu outro cigarro. Fiz café. Tomei café e fumei outro cigarro. Coloquei café na xícara e coloquei açúcar. Mexi com meu pau ainda melado de esperma. Subi ao quarto e ofereci a ela. Ela tomou com gosto. Eu ri da minha maldade. Ela perguntou por que eu ria. Era uma molecagem minha com tom de vingança juvenil. Uma bobagem. Ela pediu pão. Não tinha. Pediu pinto. Isso tinha. Fodemos de novo. A xícara virou e molhou mais uma vez a cama. Misturou-se com o liquido do squirt dela e com minha porra. Nojento. Imundo. Ela queria no cu. Enfiei. Saiu bosta. Misturou com tudo. Uma nojeira. Meu pau cheio de merda. A bunda dela cheia de merda. Fumamos novamente. Outro e outro. Três cigarros ao todo. Dormimos abraçados em cima daquela porcaria toda. Acordamos ao meio dia. Ela se sentia enjoada. Enfiei meu pau na boca dela. Ela vomitou. Pediu café. Lhe dei sem açúcar. Pediu açúcar. Lhe mijei na cara. Ela gostou. Se masturbou e soltou outro jorro de squirt. A casa fedia. E ela pedia. Mais pau. E eu queria mais buceta. Mais líquidos produzidos. E a cada golfada de algum liquido um cigarro. Chegou a noite. Acabaram-se os cigarros. Nós fediamos. Nós fodíamos. E fumávamos. Tínhamos o poder!

31/10/2017

segunda-feira, novembro 06, 2017

Dinastia

Dinastia
Barata Cichetto

Não. Eu não sou o que pensa de mim. Não sou o que pensa. Nem de mim nem de ninguém. Não sou seu pensamento. Nem seu sentimento. Não sou. Não sou o que imagina de mim. Em rede social. Não sou um monstro sexual. Meu apetite é seleto. E se pensa que sou legal. Também há engano em seu pensar. De mim. Não pense de mim. Não pense por mim. Nada há de ser pensado. Não sou Jesus. Nem Cristo. Nem existo. Não sou Lúcifer. Nem Baco. Ai meu saco. Com essas ideias lúcidas a respeito de mim. Sai dessa! Não interessa. Deveras. O que pensa. Como pensa. Não crie ideias. A meu respeito. Sou suspeito só por seu pensar. Sobre o que pensa. De mim. O meu interesse. Filosófico. Teológico. Ilógico. É na sua bunda. Na sua buceta. Mostre suas tetas. É a sua hora. Deite na cama. E abra a cabeça. Te penetro sorridente. Com meus novos dentes. De plástico. Não crie uma história. Sobre minha pessoa. Leia Pessoa. E não perca tempo comigo. Do seu tempo quero apenas o gozo. Gostoso. Fabuloso. Te espero no motel. As três da tarde. Na esquina de casa. Quando seus cachorros dormirem. E seus filhos andarem. Não espere a hora. É agora. Não pense nada de mim. Que sou vagabundo. Escape do meu mundo. Sem pensar. Por um segundo. Te faço sonhar. No outro te faço gozar. E esquecer do segundo. Do primeiro. E do ultimo que chegar. Te quero louca. Sem pensar. E se for pouca. Tua vontade. Te faço temer. Minha morte. Por sorte. Ou por azar. Nem pensar. Que pode pensar. Da minha lida. De versejar. E se sou maldito. E nem acredito. No seu bendito. Me faça acreditar. Que te pego. Na esquina torta. Com a ideia morta. De seu pensar. E se na tua escravidão. Na servidão da tua cegueira. Quiser enxergar. Te coloco uma venda. Te coloco à venda. Te amarro na cama. E te faço desejar. A morte ou a vida. Depende de teu desejar. E se teu querer for imundo. Me chame vagabundo. Que te faço esperar. Com uma tigela de restos de comida. No portão da tua casa. Sendo teu mendigo. De estimação. Em nome da tua causa. Por tua causa. Então mate minha fome. Da tua comida. Me mata a sede. Da tua virilha. E me humilha. Feito mulher de família. Mulher de casar. Não case comigo. Que não posso. Te sustentar. Sustente tua filha. Sustente a condição. Abra um negócio. Serei teu sócio. Serei teu ócio. E não esqueça a calcinha. Pendurada no chuveiro. Quando for se lavar. Limpe a bunda. Enxugue a vagina. E se me imagina. Esqueça qualquer pensamento. Sobre pensar.  Eu não sou seu pai. Não sou seu filho. Nem seu espírito santo. Nem sou amém. Sou a trindade santa. Três em um. Sou todos em um. Não pense que sou o que quer. Nem o que deseja. Sou seu desejo. Mais obscuro. Mais escuro. Mais duro. Sou uma dinastia. Carolíngia. Sou Magno. Carlomano. O Piedoso. O Calvo. O Simples. E o quinto, o Indolente. Sou Luiz. Sou Carlos. Senão o primeiro. Sem nunca ser o último. Sou seu caminho de liberdade. Rubra. Cubra sua vergonha. Descubra sua vontade. Cubra sua verdade. Com a mão esquerda. Estou a tua direita. Segura meu pau. Leia meu Manual. É tudo normal. Sou teu mal. Teu mau. Tem bem. Então vem. Senta no meu colo. Ter consolo. É tudo diferente. Da história. Diferente da lei. Sou rei. Fui deposto. Derrubado. Mas agora preposto. Sou teu encosto. Teu desespero. Sou o sonho que te faz se masturbar no banheiro. De manhã. Sou pesadelo. Sou elo. Anelo. Chinelo. Teu pensamento sórdido. Mórbido. Híbrido. Pútrido. Lúcido. Fétido. Então saia de casa. Com o útero em brasa. Te espero. Na Ponte Rasa. Na Água Rasa. Em um motel da Marechal. Da General. Ou atrás do Hospital. Geral. Guardo teu segredo. Tiro teu medo. Mas amanhã cedo. Durma antes de se deitar.

06/11/2017

domingo, novembro 05, 2017

Barat-of-hell

Barat-of-hell
Barata Cichetto

"Sirenes estão gritando. Fogos estão queimando. Nas sombras um homem com uma arma apontada para o olho." Em Gotham City a calma reina. E a alma queima. Morcegos cegos despencaram sobre os telhados das casas. Há mal no ar. No Inferno apenas solidão.  Batman está cansado. De descer pelo poste da batcaverna. No fim todos estamos cansados. De descer e de subir. Subindo por onde se desce. Descendo por onde se sobe. E no fim do dia. De todos os dias. Resta apenas o cansaço. Cobras rastejam. Sobem encostas. E nas tuas costas. Sobem todos. Não há mais estrelas em Gotham City. O luar está do avesso. Do avesso. E o que pode ser feito é acender a luz. Abrindo o buraco dentro da escuridão. Não risque fósforos. Perigo de explosão. De implosão. Mental. Eu escutei os sinos dobrarem. Era o chamado. De ser amado. E os sinos calaram. E sobrou apenas um par de botas no armário. Sem ninguém dentro delas. A gordura escorre pelo tapete da sala.  Há porcos no chiqueiro. Cachorros ladrando à noite. Galinhas cacarejam. Jacarés sem escrúpulos. À beira do pantanal. Do Inferno demônios relincham. Éguas no cio correndo peladas. Há fogo no ar. Cruzes brancas queimadas. Cruzes negras cheirando enxofre. Patas de bodes. Asas de anjo. Penas de ganso. Borboletas batem asas na Ásia. E mudam meu destino. Quero ir embora. Agora. Já não há senhora. Quero um par de tetas. De uma vaca profana. Esfregando na minha cara. A vaca de leite. A vaca sagrada. Sangrada. Meu deleite. Seu enfeite. A vaca tem pernas tortas. No pasto come a grama pisada pela história. Da escória. E eu. Que nem sei nada. Queria ensinar. A ser tarada. Acabou. Morreu. Aquele meu antigo brilho escureceu. Acabo meus dias sem fé nem esperança. Coisa mediúnica. Em Gotham City tudo é pálido. Ácido. Barulhento. Sou filósofo. Encoxo tua mãe no trem. Tem. Tem que ter coragem. Seguir a viagem. E foder com o maquinista. No fim da linha. Onde tinha uma nota de cem esperando.  Há que ter coragem para descer na estação errada. E depois retornar aos braços do amante. Sou o amante numero cem. Sem nada. Sem mim mesmo. Devorado. Sugado. Transformado em monstro ao anoitecer. Não sou belo. Mas soube tocar o sino. E fazer jorrar litros de tesão. Matei a sede. Morri de fome. Nem tenho mais nome. Sou apenas Barata. Bat out of hell. Barat-of-hell. Fui céu. Sou réu. Culpado. Tragam a forca. Enforquem-me na madeira mais alta da casa. Podem ficar com tudo. Nunca nada foi meu. O século XXI me deu razão. A razão que era de Piva. E de Shiva. De Chivas. A morte chega com a foice. Eu com o martelo. Belo é ser morto. Ser morto por decreto. Ato secreto. De um ditador. A semente do mal. Na água da cidade. Flúor e necrochorumem. Morte na torneira. Geração de acerebrados. Cérebros corroídos nas salas de aulas de faculdades de história. Maconha e cocaína. Ideologia tirana. E o amalgama criado pelo flúor. Distribuído pelas companhias de saneamento. Mas em Gotham City a bandeira vermelha tremula. E eu limpo a bunda com papel higiênico preto. A ideologia do crime. O crime da ideologia. Atropelamento e fuga. Não há mais socorro. Nem salvação. A solidão do Inferno está prestes a acabar. A horda de gafanhotos vorazes atacou a plantação. Ainda há tempo de foder antes de morrer. Então foda. Meu caráter foi minha ruína. E assim tudo termina. Sem mais. Nem menos!

25/10/2017

A Estranha Loja das Palavras

A Estranha Loja das Palavras
Por Barata Cichetto

Um tanto estranha aquela loja do interior
Que tinha um verso pintado no exterior
A loja vendia palavras e não seus sentidos
E eram vendidas como se fossem vestidos.

E estranho também era aquele vendedor
Que dizia não saber o que era vender dor
E pelas roupas usadas pelo tal gerente
Sabia-se não ser aquele lugar de gente.

Estranho também que na loja não tinha portas
Pois os fregueses eram apenas pessoas mortas
E na tal loja ninguém precisava pagar o preço
Já que o dono tinha dos fregueses o endereço.

Estranha mesmo a loja das palavras permitidas
Pois ali não se vendiam as que foram proibidas
E assim eram as coisas naquela estranha cidade
Onde ninguém sabia onde era a loja da liberdade.

18/07/2017

05/11/2017 - Publicado também em: https://www.meart.com.br/poesias/poesia-reflexiva-a-estranha-loja-das-palavras/

sexta-feira, novembro 03, 2017

Três de Novembro

Três de Novembro
Barata Cichetto

Três de novembro. O dia dos mortos passou. De todos os santos também. Três de novembro tinha que ser dia de alguma coisa, mas é apenas dia três de novembro. Um dia qualquer. E eu, um poeta qualquer, num dia qualquer escrevo qualquer coisa só para não enlouquecer. É três de novembro e não tem cigarro. Não tem pão. O circo caiu. Falam em Natal. Em festas de fim de ano e presentes e sorrisos falsos. Este ano será um tanto diferente. Não terá sorrisos falsos. Hoje ainda é três de novembro. Tem muito tempo pela frente. Há tempos atrás eu sorriria. Hoje, neste três de novembro, não.  Acabou meu cigarro. Na mesa só sobrou um pão duro. Para dois. Tenho livros de poesia. Mas não tem poesia hoje. Neste três de novembro de dois mil e dezessete não há poesia possível. Daqui a menos de dois meses acaba um ano que foi qualquer como qualquer ano sempre é qualquer. Não contem comigo na sua ceia de Natal. Não contem comigo para soltar fogos na passagem do ano. Fiquem com seus comunismos incomuns, seus socialismos hipócritas e seus votos de felicidade e paz e harmonia da boca pra fora. Eu ficaria dormindo o dia três de novembro inteiro, só pra não pensar que não tenho dinheiro nem cigarros nem poesia. E ficaria dormindo até três de novembro do ano que vem. Não, não contem comigo no Natal. Não fui eu que criei Jesus Cristo. Nem fui eu que o matei. Fiquem com a história. Fiquem com a História. Com a retórica mentirosa das salas de aulas cheirando a maconha. Hoje ainda é três de novembro e falta muito para o Anti-Natal. O dia dos mortos se foi. Ficaram apenas saudades. Dos mortos que caminham sem pensar. Que caminham sem sentir. Não lembrem de mim no Natal. Não contem comigo no Ano Novo. Lembrem de mim no dia dos mortos. Ou de todos os santos.

03/11/2017

terça-feira, outubro 31, 2017

O Culpado é o Poeta

O Culpado é o Poeta
Barata Cichetto


Há uma forte suspeita de que o culpado é o poeta. E se a suspeita é forte, mais forte que ela é a certeza que não é o mordomo, nem a estatueta negra sobre a mesinha de centro de uma mansão. O milionário não foi, muito menos a diarista. O psicanalista está fora de suspeitas também, assim como o policial. E nem pensem em culpar o político ou o general, pois suspeitas nunca caem num feriado. As suspeitas são sempre aos sábados, ou domingos, dependendo do dia do mês. E antes que comecem a julgar, poupem o tempo dos jurados e do magistrado, e apontem para aquele poeta parado na esquina, com ar de terrorista, jeito de anarquista e fama de encrenqueiro. E maconheiro. Só pode ser ele, o poeta, o culpado. Aliás, alguém duvida que seja? É dele a culpa. Sempre dele. Chamem agora o retratista e que se faça o retrato falado do meliante, mediante uma módica quantia. Estampem na capa do jornal. É ele, sim é ele! E preparem o corredor da morte, paguem a fatura de energia elétrica e liguem a chave da cadeira. Cuidem para que ele não morda a língua na hora fatal. Mas permitam que revele seu ultimo desejo, que todo criminoso tem direito a um. E ele lhes confessará, nas suas rimas tolas que é, sim, o culpado. E pedirá papel e caneta. E escreverá um poema, rimando culpas com desculpas; ira com lira, e putas com lutas. Afinal, que o deixem a apodrecer sobre a terra depois de morto. E que os corvos e os ratos roam seus intestinos. Pois nem a terra lhe pode ser leve.

30/10/2017