A MULHER LÍQUIDA - ROMANCE

A MULHER LÍQUIDA - ROMANCE
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18/09/2019

Barata, o Filme, Em 3D: Desaforado, Desbocado, Desagradável

Barata, o Filme, Em 3D: Desaforado, Desbocado, Desagradável
Barata Cichetto




A minha poesia não agrada aos poetas modernos,
Fêmeas ou machos que usam botas, saias e ternos.

O que pensam ser, oh, nobres colegas de profissão,
Que fazem poesia como pedido, defesa e confissão?
Acaso adulterando as formas e subtraindo a estética,
Pensam mesmo estarem fazendo revolução poética?

Minha poesia não é bem quista nem por poetistas,
Poetas de barro mole que pensam que são artistas.

O que pensam ser quando crescerem, oh, raquíticas,
Agindo como se poemas fossem desculpas políticas?
Decerto acreditam que a pobre poesia é arte coletiva,
E fazem dela bandeira para sua indignação seletiva?

A minha poesia não é bem amada pelas desamadas,
Falsas vadias de falsos falos e vaginas desanimadas.

E o que gostariam de ter em troca de sua felicidade,
Além das farsas perenes da própria excentricidade?
E o que temem em mim, além de abalar sua crença,
Que poesia é enfermidade sem nunca ser a doença?

Minha nunca pobre poesia é mal vista pelos machos,
Que das efemérides comunistas são meros capachos.

E do que gostariam que eu falasse nos meus versos,
Antes que eu transforme em pedaços seus universos?
E por fim, ainda pergunto sem esperar pela resposta,
Que espécie de poeta engole apenas o que não gosta?

15/09/2019

16/09/2019

Eu Quero Ser Tua Calcinha

Eu Quero Ser Tua Calcinha ®
(Um Poema Com Opção Sexual, Mas Sem Orientação)
Barata Cichetto
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela que combina com o sutiã de alcinha,
Com alça de silicone e estampa de oncinha.
Eu quero ser tua calcinha...
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela que esconde teus defeitos e sugere teus feitos,
Que traça curvas, e desenha retas e círculos perfeitos.
Eu quero ser tua calcinha, Amanda, Bernarda... 
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela que troca quando sai e que tira quando retrai,
Que coloca quando entra e que despe quando te atrai.
Eu quero ser tua calcinha, Cássia, Darlene...
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela incolor a cobrir-te a peluda ou a raspada,
E ser o que espera: o escudo, a lança ou a espada.
Eu quero ser tua calcinha, Elisabete, Fabiana...
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela que gruda na tua bunda, penetra tuas pregas,
Que enrosca nos teus pelos e que absorve tuas regras.
Eu quero ser tua calcinha, Giovana, Heloísa...
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela que te aperta quanto senta, te seca quando venta,
Incomoda quando incerta, e se acomoda quando inventa.
Eu quero ser tua calcinha, Ivonete, Janete... 
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela tão justa quanto pecado e honesta quanto um soldado,
Que te prende feito um guerreiro e te solta feito um delegado.
Eu quero ser tua calcinha, Kelly, Luísa... 
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela que se molha de suor e outros líquidos deliciosos,
E que te seca se assim for, toalha dos teus peidos pastosos.
Eu quero ser tua calcinha, Marisa, Naiara...
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela com laços de rendas portuguesas ou sedas chinesas,
Com desenhos de flores, varias cores e estampas burguesas.
Eu quero ser tua calcinha, Odete, Patrícia... 
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela que envolve o teu quadril, e que aperta a tua cintura,
Que ajeita tua bunda e se afunda nas curvas da tua escultura.
Eu quero ser tua calcinha, Quitéria, Rosangela...
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela que te dá conforto e desperta desejos e vaidades,
E que na gaveta de calcinhas aguarda por tuas vontades.
Eu quero ser tua calcinha, Solange, Talita...
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela sua segunda pele, tão quente, mas tão artificial,
E tão sintética quanto natural, sempre a pele superficial.
Eu quero ser tua calcinha, Úrsula, Valentina...
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela tão íntima quanto amiga que não se rasga,
E tão cruel quanto o vinho com o qual se engasga.
Eu quero ser tua calcinha, Wilma, Xênia...
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela que esconde a tua pureza e expõe tua safadeza,
Na ditadura cruel que põe na mesa o sentido de beleza.
Eu quero ser tua calcinha, Yasmin, Zulmira...
Eu quero ser tua calcinha,
Aquela de algodão cru entrando no teu cu e na tua buceta,
E ser-te tão importante quanto o preço em minha etiqueta.
Eu quero ser tua calcinha...

16/09/2019

13/09/2019

Selvageria - Uma Escultura

Selvageria - Uma Escultura
Luiz Carlos Cichetto








Há cerca de duas semanas, precisava atravessar a linha de carga da Rumo, mas como o trem tinha parado, tomei a decisão de contornar pelo fim da composição. O local é bem deserto, e ao andar sobre as pedras onde se assentam os dormentes, deparei com alguns ossos, e ao lado deles um crânio, que me parecia ser de cachorro. Apanhei, e notei que o mesmo deveria estar ali há anos, pois estava completamente limpo e seco. Decidi apanhar e levar para casa.
No dia seguinte com a ideia de procurar um pedaço de madeira, cerca de cinquenta metros do local onde encontrara a tal caveira. Logo de cara, um galho, parcialmente queimado, com uma forma que prontamente identifiquei, como um elefante, com a cabeça erguida e a tromba levantada, como se tivesse gritando de dor. Na hora a associação com as duas peças se fez, e a escultura se materializou na minha cabeça. O tronco, além de queimado tinha sinais que teria sido antes serviço de lar e alimento para alguma comunidade de cupins, o que aumentava mais ainda o conceito de vida e morte.
Trabalhei nos últimos dias preparando o tronco, aplicado óleo queimado para eliminar ainda possíveis cupins e removendo partes soltas de cascas. O crânio foi colocado de molho em uma solução para higienizar. A cada gesto, a cada atitude, minha cabeça viajava sobre as histórias de todas as vidas que tinham um dia habitado aquelas peças e que hoje não mais existiam. Aquele cão, qual seria sua história? Do que teria morrido? Há quanto tempo? Ele poderia ter sido de alguém, que pode ter ficado triste com seu desaparecimento. Um caudal enorme de vidas entrelaçadas, alegrias e dores, todas ali, naquele crânio de cão. 
E o pedaço de madeira? A qual árvore teria feito parte, antes de servir de moradia de cupins vorazes, ter sido cortado e depois queimado? Quanta vida tinha existido naqueles pedaços de coisas mortas que agora eu tinha em minhas mãos? Uma enorme sequencia, decerto. Alguém matou o cão, alguém cortou e incendiou o galho, mesmo que sem qualquer intenção de matar. A selvageria natural.
Preparei tudo com muito respeito a essas vidas, e com o espírito de quem prepara um monumento. O resultado é uma obra de arte? Não sei, não entendo de arte, e nunca tinha feito nenhuma escultura. O máximo que cheguei foi há três anos, incentivado por minha "madrinha" Nua Estrela, pintar algumas coisas.
Por fim, penso agora que isso é alguma espécie de convergência, que me fez unir essas peças, como se estivessem me esperando para juntá-las, e senti uma espécie de conforto filosófico e poético ao concluir. Essas vidas tão dissociadas, ou nem tanto, agora estão interligadas e me soam como um tributo à selvageria natural, parte de toda vida.

13/09/2019

Preposto

Preposto
Barata Cichetto



Quem dera eu pudesse o ser o meu oposto,
E assim poder atender ao jeito do teu gosto,
Mas declaro para teu desespero e desgosto:
Serei sempre o oposto do que tenha suposto.

Ah, como eu queria, ser um homem com posto
Composto de qualidades que lhe fariam gosto,
E ser das tuas costas tortas e flácidas o encosto,
Mas prefiro ser eu e de mim mesmo o preposto.

13/09/2019

10/09/2019

Domingo no Parque

Domingo no Parque
Barata Cichetto


Sai de casa. Precisava de paz, um lugar para fumar meu cigarro e ler um livro, e talvez olhar algumas bundinhas chacoalhando em bermudas curtinhas. Fui a um parque público, um lugar enorme, cheio de tudo o que eu precisava: natureza, tranquilidade, pessoas bonitas. O lugar perfeito para ler, pensar e fumar. Na entrada do parque uma placa e um segurança mal encarado me diziam ferozmente que eu não podia fumar. Não quis contestar. Era a lei e a lei a gente respeita. Entrei, procurei um banco que não fosse coberto com bosta de pombos. Achei um mais ou menos limpo. Sentei e abri o livro. Duas garotas passaram correndo, com as tais bermudas coladinhas, naquele passinho aprendido nas academias de ginástica e olhando o Apple Watch no pulso. Fiquei olhando. Uma dela me lançou um olhar de nojo e continuou saltitando. Abri o livro. Ainda restava ler e pensar. Um grupo de moleques, pré-adolescentes, quatro ou cinco garotos e duas garotas, sentados na grama bebiam cerveja e ouviam "Funk", repetindo o refrão pornográfico e as moças ficavam de quatro na grama e rebolavam, enquanto os garotos a bolinavam. Somando todas as idades, decerto não daria a minha. Tentei me concentrar no meu livro e nos meus pensamentos. Ayn Rand, A Revolta de Atlas. Um pombo deu uma cagada bem na página 333.  Limpei. Levantei e instintivamente apalpei o maço de cigarros no bolso calça, peguei um e acendi. Nem tinha dado minha primeira tragada e um segurança, sujeito negro, enorme e careca se aproximou em um patinete motorizado, e começou a berrar que era proibido fumar no parque. Já no susto o cigarro caiu e o brutamontes o pisoteou e disse que se eu insistisse ele me retiraria à força do local. QAP? QSL? Ele saiu, e parecia que não tinha pés, mas rodas em seus lugares. Fiquei olhando para meu cigarro esmagado, que custa caro e paga 57 impostos e ainda olhei para o grupo de adolescentes que riam de mim. Eu só queria ficar em paz, ler e pensar, num lugar com pessoas e coisas bonitas. Ainda tempo de pensar. Era só o que sobrara. Procurei outro banco, mas quase todos estavam ocupados ou cagados demais. Tinha um local mais afastado, meio ermo até, e fui até lá, mas o único banco disponível estava ocupado. Dois sujeitos, muito magros e maltrapilhos dividiam um cachimbo de "Crack". O segurança passou ao largo, com suas rodas mecânicas em lugar de pés. Os sujeitos me olharam assustados. Abanei a cabeça e sai de perto. Um homem de terno passeava com um enorme e caramelado Chow-Chow japonês e puxou a guia do cão, não sei se para proteger-me do animal ou ele de mim, e uma mulher empurrava um carrinho de bebê com apenas uma das mãos, enquanto a outra digitava freneticamente no celular. Decidi ir embora, ler e pensar em outro lugar, que em parques não se pode pensar, não se pode fumar. É a lei.Na grama, deitados, dois casais se beijam e se chupam e se cospem e quase se despem. No caminho de pedras gastas doze policiais e dois jovens normais, amados ou não, armados ou não. Eu ainda lembro das flores, dos canhões e das canções, mas não tenho mais emoção. Ainda lembro da fumaça, mas esqueci do fogo. E isso me dá vontade de fumar. Esqueça a canção.  O moleque catarrento me pede um cigarro. Eu digo que não. Ele não sabe ainda que é proibido fumar no parque? Nem tem sete, e me mostra o canivete. Lá se foi outro cigarro, só me sobrou o escarro. Onde andam as estátuas do parque, pergunto ao policial. E ele responde, bem ali debaixo daquele monte de tinta colorida de spray color gin vermelha a arma da revolução. O sujeito cabeludo e barbudo me intercepta bruscamente e pergunta se gosto de poesia. Enfio a mão o bolso e ele arregala os olhos. Tiro um poema e ele sai correndo com suas duas folhas de papel dobradas em quatro, me olhando feio, sem esperar que eu pegue o dinheiro no outro bolso. O parque está imundo. Merda de pombo, camisinhas sujas de esperma, papel de picolé, folhetos de propaganda de supermercado; a grama esmagada e os girassóis murchos. Girassol me lembra sol e sol me lembra calor e calor lembra fogo. Alguém tem fogo? Eu perguntaria, e depois de fumarmos juntos sairíamos para festejar, cantar ou fazer uma revolução. Mas, não, agora não podemos fumar juntos, então não mais festa, nem cantoria e nem revolução. Onde há fumaça sempre há fogo, dizia minha avó que morreu fumando. Onde não há fogo não tem calor, e sem calor nada tem valor. Acho que tinha uma canção dos tempos em que fumantes ainda não eram criminosos que dizia isso. Uma canção antiga, dos tempos em que ainda eu podia ir ao parque fumar. Os tempos mudam? Não, os tempos não mudam, são sempre os mesmos ponteiros que marcam as mesas horas todos os dias ao longo dos milênios.  Mudam as leis, mudam as pessoas, e mudam as coisas de lugar, e só agora sei que é um pecado fumar. Na saída, respirei aliviado, mesmo depois de ser atingido por uma bela cagada de pombo que escorreu pela minha barba. Apanhei um cigarro no maço e acendi, soltando uma vitoriosa baforada para cima. Dei um passo na calçada, outra tragada. Uma velhota passou e reclamou da fumaça e do fedor, abandando com a mão enrugada, o segurança de rodas eletrônicas me olhava com cara de bosta do portão. Era um domingo, fui ao parque. Queria ler, fumar, pensar, ver gente, que nem precisa mesmo ser bonita, bastava ser gente. Era um domingo no parque. E podia até ser segunda-feira, que qualquer dia é dia de intolerância. Não vou mais ao parque, prefiro pensar dentro de casa onde ainda posso fumar e pensar. Fumar no escuro, que a claridade é para os intolerantes e ditadores. É proibido fumar no parque. Há fumantes passivos e amantes lascivos. Falantes nocivos. Até que decidam me proibir de pensar. Até que um dia decidam que sou um perigo à saúde pública, que pensar faz mal à saúde, até que me proibam de estar em casa, aque a arrombem, que apaguem o cigarro na minha testa. E que me matem. Em nome da saúde pública e da maldade privada. 

10/09/2019

08/09/2019

Poesia Matutina

Poesia Matutina
Barata Cichetto
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Estou parado na esquina com a mão dentro das calças.
Uma mulher arrasta pela calçada uma mala sem alças,
E um sujeito bêbado arrota e a chama de vagabunda,
Mas eu, que sou poeta legal, apenas olho sua bunda.

Aperto meu pau duro e abro o zíper da braguilha,
A mulher limpa o catarro da criança maltrapilha.
E eu e o bêbado vomitamos nossos nojos na sarjeta,
Quando a mulher nos pede fogo e a criança gorjeta.

Estamos parados na esquina, eu e o tal bêbado imundo,
Somos um par de tolos: ele é o poeta e eu o vagabundo.

Sujei minhas botas novas e o mendigo a seus chinelos,
E a mulher e a criança nunca me pareceram tão belos.

09/07/2017

Uma Carreira Para Lou Reed

Uma Carreira Para Lou Reed
Barata Cichetto
(Poema Lido Primeiramente no Programa Gyroscopio 69, de 08/09/2019)




Era um domingo de manhã, mal tinha amanhecido
E fiquei sabendo que Lou Reed tinha desaparecido.
As putas da Sé nem sabiam o que tinha acontecido,
E até as bichas da República dele tinham esquecido.

Aí apanhei no armário meu casaco de couro rasgado,
E juntei meu óculos escuro há muito tempo guardado.
Rabisquei um poema e fui para a rua feito um soldado,
Firme em sua luta, mesmo com seu coração machucado.

Lewis Allen Reed está morto, e eu totalmente perdido,
Mulheres de braços tatuados me chamando de fedido.
O casaco de couro está rasgado e um tanto encardido,
Mas sou eu o fedor dentro de um mundo arrependido.

Holy não veio de Miami, nem Caroline e o Delegado,
E ninguém sabe se a Rachael também tenha chegado.
Fui ao enterro, e Lou não tinha ainda sido enterrado,
E não havia negras cantando, que agora isso é errado.

Era domingo de manhã, e eu ainda nem tinha dormido,
Abraçado com duas putas pagas a preço de comprimido,
A doce Jane sabia por alto que Lou Reed havia morrido.
Mas nenhuma das musas sabia sobre o tempo decorrido.

Ao fim da noite tirei os óculos e o meu casaco descascado,
E depois esmurrei a parede com o punho ensanguentado.
Lou Reed morto e a mãe dos versos havia agora abortado,
Pois outro poeta grandioso quanto ele não teria suportado.

27/08/2019




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