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12/08/2012

Baratadas - Livro de José "Zinerman" Nogueira


Um Prefácio... Fácil de Escrever


Conheci o Zé Nogueira há uns 10 anos, quando ele me ligou por causa de... Baratas! Disse que talvez me interessasse porque tinha uns contos e uns desenhos sobre... Baratas! E daí, a amizade com esse que é uma das maiores referências da arte "marginal" do Brasil, só fez crescer. Psicólogo por formação e profissão, Mr. Zinnerman foi co-criador do "Raul Rock Club" com Silvio Passos e mais três, empenhando sua coleção de Jethro Tull nisso.

"Fanzines", "Mail-Art", programas de rádio Rock, como o apresentado na lendária "Reversão" e uma dezena ou mais de fanzines, como o "Delirio Cotidiano", além do "Arquivo Geral", o primeiro Video Zine feito no Brasil, fazem dessa figuraça, que pode ser considerada excêntrico por alguns e doido por outros, um artista que tem na inquietude artística incurável sua maior "doença". Zé Nogueira é daqueles caras que, como eu, não precisam de drogas para ficar "doidão", já nasceram assim.

E não poderia dar em outra coisa, senão em uma amizade que é baseada naquilo que deve ser considerado como maior valor humano: o compartilhamento de experiências. Mas não esse “compartilhamento” falso das redes sociais, mas o real, entre seres humanos que buscam na troca de idéias e da contemplação das artes em geral o seu crescimento próprio, alimentando assim o geral da espécie... A espécie humana... Entregue às... baratas...

As baratas, que eu e Zé Nogueira podemos não amar a ponto de tê-las dentro de casa, mas que respeitamos como símbolos de resistência, embora paguemos por tal identificação um preço alto nesta sociedade podremente e pobremente politicamente correta e esterilizada. Estéril e “histéril”, onde artistas legítimos, isto é aqueles que não se prostituem nem prostituem sua arte, são tratados feito baratas, não a chineladas, mas ignorados, pois acima de tudo representam é um espelho indesejável.

Então estão aqui, neste pequeno volume editado em parceria, uma coleção das histórias e desenhos deste ser kafkiano autêntico.  Os contos e desenhos de Mr. Zinerman são engraçados, mas daquele tipo de humor que sempre tem uma mensagem critica por trás. Mordaz e autêntico, ele tomou goles da mesma bebida que saciou a sede de artistas como Ginsberg, Ferlinghetti, Solomon e outros “Beats”. Da mesma cerveja de Bukowski, da mesma água de Crumb... Enfim, um autêntico artista cuja independência aos valores pré-estabelecidos que fez a delícia da geração dos anos 1960 e 70, e que parecem esquecidos nesse, nem tão novo, milênio.

Luiz Carlos “Barata” Cichetto
Fim de Inverno de 2012

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